Título: PF indicia 17 pessoas por rombo no Cruzeiro do Sul
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Fonte: O Globo, 03/12/2012, Economia, p. 27

Depois de cinco meses de investigações, a Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito aberto para apurar as fraudes na contabilidade do antigo banco Cruzeiro do Sul. Ao todo, 17 pessoas foram indiciadas por suspeita de crimes contra o sistema financeiro e o mercado de capitais, entre elas os ex-controladores da instituição Luis Octavio Índio da Costa e seu pai, Luis Felipe Índio da Costa.

O texto com as conclusões da PF foi encaminhado na quinta-feira passada ao Ministério Público Federal em São Paulo, ao qual compete agora fazer a denúncia do caso à Justiça. Não há prazo para essa decisão, mas a expectativa do criminalista Roberto Podval, que defende Índio da Costa, é que isso possa acontecer nos próximos dez dias.

- Ainda não tive acesso ao relatório final da PF. Quero ler primeiro o documento antes de um pronunciamento - afirmou ontem Podval.

O inquérito foi instaurado em junho de 2012, depois de o Banco Central (BC) ter encontrado indícios de fraudes contábeis e de operações de crédito fictícias, entre outras irregularidades. De acordo com as investigações da PF, os ex-controladores do Cruzeiro do Sul teriam criado um esquema para desviar recursos do banco, que incluiu simulação de compra de mercadorias e empréstimos. Dezenas de investidores teriam perdido seu patrimônio em fundos geridos com "condutas criminosas".

Durante as investigações, foram descobertos ainda indícios de que os ex-controladores teriam usado escutas telefônicas e interceptação de e-mails para ocultar informações da fiscalização do BC, antes mesmo de a instituição sofrer intervenção. A PF já identificou a empresa contratada para fazer esses serviços de "arapongagem", que incluía até monitoramento remoto. Mas não se sabe ainda quem teria contratado os serviços.

- Nas conversas, os diretores e o próprio Luis Octavio falavam sobre os precedimentos do pessoal do BC que inspecionava o banco e avisavam que os fiscais pediriam os números de tal fundo. Eles já sabiam, e nessas conversas diziam para mostrar só determinadas informações, ocultando outras - disse uma fonte próxima às investigações.

gestão fraudulenta e lavagem

Os ex-controladores chegaram a ficar duas semanas presos (Luis Octavio ficou em um Centro de Detenção Provisória em São Paulo, e seu pai foi mantido preso em regime domiciliar no Rio), mas ambos foram soltos por decisão do desembargador José Lunardelli, do Tribunal Regional Federal.

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ainda tentou encontrar um comprador para os ativos remanescentes do banco, mas a operação não prosperou. Em setembro passado, com um rombo contábil de pelo menos R$ 3,1 bilhões, o Cruzeiro do Sul foi liquidado pelo BC.

Além de Luis Octavio e Luis Felipe Índio da Costa, a PF também indiciou Horacio Martinho Lima e Maria Luisa Mendonça, que faziam parte do Conselho de Administração do Cruzeiro do Sul, entre outros. Lima era superintendente de operações e contratos de empréstimos consignados, enquanto Maria Luisa era responsável pela área de controladoria do banco.

Todos foram indiciados por crimes financeiros, gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, manipulação de ações na Bolsa de Valores e má gestão de fundos de investimentos.