Título: Onze shows no ato por veto de Dilma à mudança nos royalties
Autor: Batista, Henrique Gomes; Magalhães, Luiz Ernesto
Fonte: O Globo, 24/11/2012, Economia, p. 41
O evento "Veta Dilma. Contra a Injustiça. Em Defesa do Rio", que ocorrerá na segunda-feira em protesto ao projeto aprovado pelo Congresso que retira royalties do Rio, terá onze shows no palco principal, na Cinelândia. A Secretaria de Cultura do Estado informou ontem que se apresentarão os seguintes artistas: Alcione, Naldo, Koringa, Buchecha, Belo, Bom Gosto, Molejo, Fundo de Quintal, Preta Gil, Bateria da Grande Rio e Monobloco. O evento começará às 14h, com a concentração na Candelária e a passeata pela Avenida Rio Branco, sempre acompanhada de trios elétricos e personalidades.
Outras personalidades estarão no evento. Na lista confirmada até o momento estão: Carla Camurati, Carlos Tufvesson, Xuxa, Gari Sorriso, Cintia Howlett, Bel Kutner, Marcos Frota e Herson Capri. Os governadores do Rio e do Espírito Santo estarão presentes, mas políticos paulistas não confirmaram presença. Ontem, o governador Sergio Cabral voltou a dizer que acredita no veto da presidente Dilma Rousseff. A decisão será tomada pela presidente até o dia 30.
- Sem recursos dos royalties, vou ter que parar as obras do Metrô. Eu paro a dragagem das lagoas da Barra da Tijuca e Jacarepaguá e terei que rever a contratação de mais policiais. Basicamente teremos recursos para pagar os servidores - disse Sérgio Cabral. As declarações foram feitas após a abertura do seminário Transição Olímpica Governamental, organizada pela Autoridade Pública Olímpica (APO) para trocas de experiências entre representantes do Brasil e autoridades britânicas que participaram da organização dos Jogos Olímpicos de Londres.
A tímida reação do governo de São Paulo ao projeto aprovado repercutiu mal. David Zylberstajn, que foi secretário de Energia de São Paulo, entende que o "silêncio não se justifica", já que o estado foi "aquinhoado" com a maior fatia que espera-se obter do campo de Lula, já licitado.
- São Paulo comete um erro grave em não se posicionar fortemente - disse Zylberstajn.
Jean-Paul Prates, diretor-geral do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), crê em outros motivos para o silêncio paulista:
- Não acredito em incompetência ou burrice. Não sei a razão, mas alguém no governo está avaliando que o balanço de receitas que virão por outras vias não é tão ruim. Ou avalia que, se entrar na briga, pode perder em outras coisas.
Ontem, os jogadores do Fluminense entraram em campo para o treinamento com faixas que traziam os dizeres "Veta Dilma".