Título: Ministério Público Federal volta a pedir prisão de Cachoeira
Autor: Sassine, Vinicius
Fonte: O Globo, 22/11/2012, País, p. 4
Procuradores temem que bicheiro, libertado anteontem, fuja do país
Enviado especial
GOIÂNIA A Justiça Federal e o Ministério Público Federal em Goiás temem a fuga do bicheiro Carlinhos Cachoeira para outro país e, diante dessa possibilidade, um novo pedido de prisão foi protocolado na 11ª Vara Federal em Goiânia, onde já corre o processo referente à Operação Monte Carlo. Com a liberdade para o bicheiro, na madrugada de ontem, os procuradores da República responsáveis pelas investigações ofereceram nova denúncia contra Cachoeira e mais 16 pessoas acusadas de integrar a quadrilha, desta vez por contrabando e descaminho de peças usadas na montagem de caça-níqueis.
Para seis dessas pessoas foi pedida a prisão preventiva, como forma de "garantia da ordem pública e da ordem econômica". O juiz federal Alderico Rocha Santos, responsável pelo processo da Monte Carlo, determinou ontem que a defesa de Cachoeira se manifeste em dez dias sobre o pedido de prisão. Só então, decidirá se o contraventor deve voltar para a cadeia.
Alderico recebeu a nova denúncia e, para justificar a citação à defesa para que se manifeste, citou artigo do Código de Processo Penal: o juiz, quando possível, deve "estabelecer o contraditório" para determinar uma prisão preventiva. Mesmo assim, Alderico apontou o "poderio econômico dos acusados", a "influência econômica e política exercida por eles" e a condição de foragido do contador da organização criminosa, Geovani Pereira da Silva.
As três situações levaram o juiz a determinar o recolhimento dos passaportes de Cachoeira e de mais cinco acusados, a proibição de se ausentarem das cidades onde moram sem um comunicado à 11ª Vara Federal em Goiânia e o impedimento de deixarem o país.
A partir do momento da intimação, os acusados têm 48 horas para entregar os passaportes à Justiça Federal. A medida vale para Cachoeira; Lenine Araújo de Souza, apontado como braço-direito do bicheiro; Arnaldo Rúbio Júnior, acusado de explorar a jogatina ilegal; e José Olímpio de Queiroga Neto, Raimundo Washington de Sousa Queiroga e Francisco Marcelo de Souza Queiroga, integrantes de uma mesma família que explora casas de jogo no Distrito Federal e no entorno da região. O MPF requereu a prisão dos seis.
Um ofício foi expedido pela Justiça Federal ao setor de migração da Polícia Federal, para "ciência e registro da proibição dos acusados de deixarem o país a partir desta data", como consta na decisão do juiz Alderico assinada ontem. A Interpol (Polícia Internacional)já teria sido comunicada.
A denúncia do MP foi oferecida à Justiça em Goiás dia 14, seis dias antes de a Justiça do DF condenar Cachoeira ao cumprimento de pena em regime semiaberto e expedir anteontem alvará de soltura. Com a saída do contraventor do Presídio da Papuda, em Brasília, a Justiça Federal em Goiás decidiu impedir que ele viaje para outro país.
Cachoeira estava preso por força de um mandado de prisão da Justiça do DF, devido a investigações da Operação Saint-Michel, que apurou fraude em licitação para a bilhetagem eletrônica do transporte público em Brasília.