Título: Portugal Telecom queria ampliar mercado
Autor: Uribe, Gustavo; Souza, André de
Fonte: O Globo, 12/12/2012, País, p. 4

Apontada por Marcos Valério Fernandes de Souza como uma das empresas que teria feito doações ao PT em 2005, a Portugal Telecom queria, na ocasião, elevar a participação da Vivo - empresa que dividia o controle com a espanhola Telefónica, cada uma com 50% das ações - no mercado brasileiro de telecomunicações e ainda aumentar sua influência no país.

A Portugal Telecom, através da Vivo, tinha interesse em comprar a Telemig e a Amazônia Celular e, assim, se distanciar da segunda colocada na época, a TIM, que vinha ganhando cada vez mais participação de mercado. Em 11 de janeiro de 2005, representantes do Banco Espírito, acionista da tele portuguesa, tiveram reunião em Brasília com José Dirceu, na época ministro da Casa Civil, e Marcos Valério.

- Marcos Valério ficou encarregado de intermediar a compra da Telemig pela Portugal Telecom. O próprio Palmieri (Emerson Palmieri, primeiro-secretário e ex-tesoureiro informal do PTB) disse isso na ocasião em sessão da comissão de ética - lembrou uma fonte do setor ao GLOBO.

No fim de janeiro de 2005, Valério e Palmieri foram a Portugal para se reunir com o então presidente da Portugal Telecom, Miguel Horta e Costa. Em agosto de 2005, durante a CPI do Mensalão, Palmieri disse que a viagem a Lisboa foi pedida por Dirceu para negociar, também, recursos para sanar dívidas do PTB e do PT com a campanha eleitoral. Segundo Valério, em depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República, o ex-presidente Lula e Antonio Palocci teriam negociado com Miguel Horta, em um encontro no Planalto, uma transferência de R$ 7 milhões para o PT.

Miguel Horta, que já deixou a Portugal Telecom, em nota, nega ligação no processo. "Como é de conhecimento público, em devido tempo tive a oportunidade de prestar todos os esclarecimentos que me foram solicitados pelas autoridades brasileiras. Na ocasião, tive condições de refutar de forma transparente que não tive qualquer ligação com este processo. Esta é uma questão de política interna brasileira à qual sou totalmente alheio."