Título: Petrobras não descarta reajuste da gasolina
Autor: Bôas, Bruno Villas
Fonte: O Globo, 22/11/2012, Economia, p. 32
Ministro da Fazenda assegura, porém, que Petrobras não tem problemas de caixa
Danilo Fariello, Monica Tavares e Eliane Oliveira
BRASÍLIA A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse ontem que não há data definida para o reajuste dos combustíveis, mas que um aumento do diesel e da gasolina não estão descartados definitivamente nos próximos meses. Segundo ela, essa correção dos preços será mais "premente", a depender da variação do preço do petróleo no comércio internacional e da oscilação do real, uma vez que o preço do barril é em dólar.
- É essa combinação que define nossa capacidade de investimentos, mas hoje há uma perfeita harmonia entre o caixa da empresa e essa capacidade - disse Graça, após ser homenageada em cerimônia no Congresso.
Ao voltar de um almoço com a presidente Dilma Rousseff, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou que a Petrobras esteja passando por dificuldades de caixa, mas não descartou um reajuste nos preços dos combustíveis. Segundo ele, se houver aumento, este ocorrerá "no momento certo.
- No momento certo haverá atualização - disse Mantega. - A Petrobras não tem dificuldade de caixa. Tem um caixa muito maior do que vocês imaginam. É o maior caixa de todas as empresas brasileiras. Ela (a Petrobras) não tem dificuldade de investimento, pelo contrário. A dificuldade é dos fornecedores em entregarem o produto comprado. Nós temos brigado para que entreguem as sondas, as plataformas, os navios, para que a gente possa apressar a exploração do petróleo. Então, não há nenhum problema dessa natureza.
"muito mais que gasolina e diesel"
Nas contas de Graça, mesmo com a subida do preço do petróleo no mercado internacional para além dos US$ 100 o barril e com a recente desvalorização do real, com o dólar chegando ao nível de R$ 2,10, a empresa encerrará 2012 com um nível de caixa adequado e todos os investimentos previstos realizados. Para ela, porém, evidentemente uma queda do preço do barril do petróleo "postergaria muitíssimo" a necessidade de reajustar os combustíveis.
A presidente da estatal afirmou ainda que "a Petrobras é muito mais que gasolina e diesel", referindo-se aos reajustes de derivados de petróleo, como nafta e querosene de aviação. É nesses produtos que a estatal compensa a pressão sobre o caixa. Em junho, a Petrobras promoveu um reajuste dos preços do diesel e da gasolina, mas a alta foi compensada por uma redução imediata de impostos pelo governo.