Título: Incra terá que se explicar
Autor: Brito, Ricardo; Lima, Daniela
Fonte: Correio Braziliense, 15/10/2009, Política, p. 7
Deputados da Comissão de Agricultura aprovam convocação de presidente do órgão para falar sobre gastos milionários com diárias
A Comissão de Agricultura da Câmara aprovou ontem requerimento para que o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hachbart, explique, entre outros temas, os gastos do órgão com o pagamento de diárias para os servidores. Reportagem publicada pelo Correio na semana passada (ver memória) revelou que o Incra gastou R$ 27,5 milhões do início do ano até outubro em alimentação e hospedagem dos funcionários.
¿O Parlamento quer saber do órgão por que se gasta muito com uma atividade-meio e não com suas funções fins¿, afirmou o deputado Duarte Nogueira, do PSDB-SP, autor do requerimento de convite. Para o parlamentar, é ¿inaceitável¿ que o Incra gaste mais recursos com diárias do que outras pastas. O instituto responsável por cuidar dos assentamentos e promover a reforma agrária consome mais que todos os ministérios em diárias, quando se comparada a despesa com a quantidade de funcionários. Em números absolutos, só fica atrás dos ministérios da Educação, Saúde, Previdência Social e Justiça.
Os oposicionistas têm questionado nos últimos dias a suposta omissão do Incra em combater invasões ilegais promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Aguardam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o MST. A CPI voltou a ganhar corpo depois da destruição de pés de laranja e de instalações de uma fazenda no interior paulista. Os governistas, contudo, tentam impedir o início dos trabalhos com a retirada de assinaturas. Para Duarte Nogueira, a ida de Rolf Hachbart à Câmara, prevista para o dia 28, será uma ¿convergência de necessidades¿. ¿Precisamos antecipar todos esses questionamentos¿, afirmou.
Memória Viagens caras
Em reportagem publicada na semana passada, o Correio revelou que o Incra gasta mais com diárias para seus 6.515 servidores do que com projetos prioritários do órgão. De janeiro a 7 de outubro, a pasta havia pago aos funcionários R$ 27,5 milhões em alimentação e hospedagem. O valor é maior do que o destinado na proposta de Orçamento da União para 2010, por exemplo, a programas como o Terra Sol (R$ 19 milhões) e o Paz no Campo (R$ 14,7 milhões).