Título: Para evitar apagões, governo fará pente-fino em subestações do Rio
Autor: Tavares, Mônica
Fonte: O Globo, 19/12/2012, Economia, p. 34
Cachoeira Paulista e Adrianópolis, que abastecem o estado, serão avaliadas
BRASÍLIA Para tentar evitar novos apagões no Rio, as subestações de Cachoeira Paulista (SP) e Adrianópolis (RJ), responsáveis pelo atendimento de energia no estado, serão as primeiras a passar pela varredura do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O objetivo é verificar se a montagem está desatualizada e se precisam ser modernizadas. O presidente do ONS, Hermes Chipp, disse que algumas subestações não têm a configuração mais adequada, já que foram concebidas na década de 1970 ou 1980 para um outro tipo de atendimento de consumo.
- O Rio de Janeiro não está vulnerável, não é o termo. (mas) Precisa ficar mais seguro, porque as subestações tinham uma finalidade, que era o suprimento ao Rio, e agora são maiores, com a ligação a Itaipu (usina hidrelétrica), com a interligação Norte/Sul (linha de transmissão de 500 kV) e com Marimbondo (usina hidrelétrica) - explicou o presidente do ONS.
ONS quer melhorias sem encarecer conta
Chipp foi perguntado sobre quais são as principais ações a serem feitas para evitar apagões. Ele defendeu que seja estudado qual é o ponto de equilíbrio para essas obras, de forma que a realização de melhorias não encareça as contas de luz, mas traga mais segurança ao sistema:
- Este equilíbrio é o que se busca entre as obras e os investimentos necessários, porque, caso contrário, a tarifa fica muito cara.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), explicou Chipp, já mandou um ofício para o ONS desenvolver uma análise das subestações que foram construídas há mais tempo e com outra finalidade, normalmente para atender a um consumo menor e, por isso, estão sobrecarregadas.
- Vamos priorizar, em função da redução de risco, aquelas que têm mais risco, priorizar o serviço e fazer ajustes em definitivo, talvez até uma nova subestação - Chipp.
Segundo Chipp, foi isso que aconteceu com a subestação de Itumbiara (GO), onde começou a falha que causou o apagão no último fim de semana, que atingiu 12 estados, incluindo Rio, São Paulo e Minas Gerais. O desligamento interrompeu uma carga de 8.166 MW, ou o equivalente a 13,4% do total do sistema. A subestação estava programada para atender a Goiás e Brasília, mas, com o crescimento do sistema e as interligações regionais, Itumbiara, por sua localização geográfica, ganhou importância grande no sistema elétrico nacional.
Chipp defendeu também que o governo realize licitações regionalizadas de termelétricas, para que elas sejam instaladas perto de centros de consumo. O mais importante, segundo o presidente do ONS, é garantir o abastecimento. Mas ele acredita também que, dessa forma, caso ocorram apagões, a energia poderá ser religada rapidamente.
O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse ontem que a operação pente-fino para fiscalizar o sistema de proteção das subestações já concluiu o trabalho em 22 unidades. A primeira etapa do trabalho será terminada até o fim de janeiro do ano que vem, com a análise completada das condições de 40 subestações. Está sendo estudada a possibilidade de realizar uma segunda etapa dessa operação.