Título: IPCA fica em 5,84%, acima do centro da meta
Autor: Ribeiro, Fabiana
Fonte: O Globo, 11/01/2013, Economia, p. 26
Em 2012, inflação superou o alvo pelo 3º ano seguido. Salário de empregada doméstica subiu 12,73%
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial, encerrou 2012 com alta acumulada de 5,84%, após avançar 0,79% em dezembro, informou o IBGE ontem. Apesar do fraco crescimento da economia brasileira no ano passado, a inflação terminou o ano acima do centro da meta do governo, estipulada em 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos. Pelo terceiro ano consecutivo, o índice supera o alvo: em 2010, ficou em 5,91%, e em 6,50%, em 2011. Assim, o governo da presidente Dilma Rousseff não conseguiu manter a inflação abaixo do centro da meta em seus dois primeiros anos. E os analistas já preveem que, em 2013, a inflação ficará entre 5,5% e 6%.
No ano passado, os vilões da inflação foram os alimentos e os serviços. No ano, o custo do empregado doméstico, que faz parte do grupo de despesas pessoais, subiu 12,73%, no maior impacto para o IPCA, com 0,45 ponto percentual. Também pesaram - e muito - nas contas das famílias as refeições (8,59%), o aluguel (8,95%), o plano de saúde (7,79%) e os cursos regulares (8,35%). O grupo dos serviços subiu 8,74% em 2012.
Farinha de mandioca subiu 91%
O grupo alimentação e bebidas, que detém a maior parcela do orçamento das famílias (23,93%), subiu 9,86%. Puxaram as altas produtos como farinha de mandioca (91,51%), feijão mulatinho (53,80%), alho (50,65%), batata (49,98%), feijão preto (44,20%) e arroz (36,67%).
- A empregada doméstica se constitui uma despesa das famílias que vem aumentando por causa da escassez do profissional e pelo aumento do salário mínimo. Os alimentos, com a redução da área plantada e seca, tiveram oferta menor - disse Eulina Nunes, gerente do IPCA, acrescentando que ajudaram a segurar a inflação em 2012 o comportamento das tarifas de energia elétrica e dos preços dos automóveis novos e usados, por causa do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para automóveis.
Mercado prevê juros estáveis
Em dezembro, a inflação acelerou para 0,79%, acima das projeções do mercado (0,74%) e a maior taxa desde março de 2011 (0,79%).
- Ainda que tenha vindo acima do que o mercado esperava, não houve surpresas. Dezembro mostra um ponto fora da curva. E, por isso, o ano de 2013 deve fechar com inflação mais perto de 5,5% do que de 6% - disse Carlos Thadeu de Freitas, chefe da Divisão de Economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor do Banco Central (BC).
Em janeiro, os alimentos devem continuar pressionando o IPCA, em boa medida por altas sazonais de legumes e hortaliças, por causa das chuvas típicas do período. Vão pesar também, segundo a consultoria LCA, altas em passagem aérea, etanol, automóvel novo (com o fim da isenção de IPI) e tarifas de ônibus urbano, intermunicipal e interestadual.
INPC subiu mais: 6,20%
A inflação mais forte em dezembro não deve fazer o BC mexer nos juros, aposta o mercado. Na avaliação de Fábio Romão, economista da LCA, o BC não deve mexer nos juros em 2013.
Para André Guilherme Perfeito, economista da Gradual Investimentos, a própria desaceleração da economia brasileira pode fazer o "trabalho sujo" da Taxa Selic (hoje em 7,25% ao ano) e ajudar a segurar a inflação.
- De um lado, a inflação, apesar dessa alta de dezembro, não configura um problema. E por outro, há espaço para a atividade crescer no segundo semestre, até por causa de incentivos já dados, como os juros menores. Portanto, o BC não deve reagir com alta de juros, nem com queda - afirmou Perfeito.
Com os alimentos mais caros em 2012, a inflação pesou mais no bolso dos mais pobres. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) - que se refere às famílias com rendimento de 1 a 6 salários mínimos, enquanto o IPCA tem como referência renda até 40 salários mínimos - subiu 6,20% em 2012, acima dos 6,08% de 2011.