Título: Com ajuda do BNDES, CSN estaria planejando comprar a CSA, da Thyssen, por US$ 3,8 bilhões
Autor: Ordoñez, Ramona; Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 19/01/2013, Economia, p. 24

Brasília dá tratamento estratégico ao caso. Ajuda seria como a do Marfrig

Correspondente

RIO E BERLIM A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e o BNDES discutem uma possível ajuda do banco de fomento para a aquisição, por US$ 3,8 bilhões, de duas usinas que a alemã ThyssenKrupp pôs à venda - a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), no Rio de Janeiro, e uma laminadora no Alabama (EUA) -, disse uma fonte à agência Reuters. Com a compra, que não é confirmada nem desmentida por CSN e BNDES, a siderúrgica de Benjamin Steinbruch fortaleceria o plano de crescer no mercado americano.

Fontes do governo, contudo, afirmam que em Brasília o caso está sendo tratado de forma estratégica. Assim, um apoio do banco à CSN seria nos moldes do fornecido ao frigorífico Marfrig, quando adquiriu os ativos que sobraram da fusão entre Sadia e Perdigão.

Em Berlim, Lars Hettche, economista-chefe do Banco Metzler, o mais antigo da Alemanha, disse ao GLOBO que "a ThyssenKrupp vai aceitar qualquer preço".

- Se não tiver oferta melhor, aceitará a proposta da CSN, pois precisa vender a Steel Americas de qualquer jeito.

A indiana ArcelorMittal teria oferecido US$ 1,5 bilhão apenas pela laminadora nos EUA.

- A Thyssen quer ¬ 5 bilhões (US$ 6,65 bilhões) pelas duas, o que veria como um excelente negócio; aceitaria como razoável ¬ 4 bilhões (US$ 5,32 bilhões), mas teria problemas em vender por menos. Mesmo assim não tem outra opção a não ser a venda - disse Hettche, que tem acesso às negociações, acrescentando que a fase quente das propostas vai começar em fevereiro.

Stefan Freudenreich, do banco de investimentos Equinet, diz que ninguém sabe se a Steel Americas vai dar lucro um dia. Para ele, se o preço ficar em ¬ 2,6 bilhões (US$ 3,45 bilhões), o negócio pode ser bom para a CSN, pois combina com seu plano de expansão.

- No início, a CSN também vai ter prejuízos, mas a perspectiva a médio prazo é melhor do que para os alemães.

O grupo alemão gastou cerca de ¬ 12 bilhões (US$ 15,96 bilhões) em investimentos nas duas plantas, mas já corrigiu para baixo o valor contábil duas vezes. Na última, o investimento foi fixado em ¬ 3,9 bilhões (US$ 5,18 bilhões).

O diretor-executivo da ThyssenKrupp, Heinrich Hiesinger, se disse satisfeito com o andamento do processo de venda da Steel Americas. Na assembleia anual dos acionistas, ontem, em Bochum, ele fixou setembro como prazo para conclusão do negócio.

A diretoria do grupo e o presidente do conselho, Gerhard Cromme, são criticados por terem deixado os custos da Steel Americas explodir, além de problemas como corrupção e manipulação de preços. Cromme, que chegou a admitir erros, vai continuar no cargo.