Título: Exigências da ANP à Petrobras significarão custo de US$ 5 bi
Autor: Ordoñez, Ramona; Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 19/01/2013, Economia, p. 24

Empresa terá de furar novos poços e instalar plataforma em Roncador

Em alto-mar. Gastos da Petrobras podem chegar a US$ 5 bilhões. Na P-52, acima, empresa terá de instalar novos equipamentos para elevar a produção

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) determinou à Petrobras que faça mais investimentos do que os previstos pela companhia para aumentar a produção do campo gigante de Roncador, no pós-sal da Bacia de Campos. De acordo com uma fonte técnica do setor, as exigências do órgão regulador representarão gastos adicionais de US$ 5 bilhões à estatal.

Em 2012, a ANP determinou à Petrobras a elaboração de um plano de aumento da produção em 11 áreas na Bacia de Campos, entre elas a de Roncador, conforme foi antecipado pelo GLOBO em setembro do ano passado.

Em reunião no dia 7 de janeiro, a diretoria da ANP aprovou o Plano de Desenvolvimento (PD) da estatal para o campo, mas obrigou a empresa a cumprir 12 exigências, entre as quais a perfuração de nove poços (cinco em 2013 e quatro em 2014) e a instalação de uma nova plataforma produtora. Hoje, o Campo de Roncador tem quatro unidades. Segundo a ANP, é "clara a necessidade de mais do que as quatro plataformas previstas para o Campo de Roncador". Por isso, diz a agência, a Petrobras deve apresentar "estudos em 2013 para a instalação de uma nova unidade de produção, visando à maximização da produção".

Outra exigência para aumentar a produção é a instalação de um novo equipamento instalado no fundo do mar para elevar o escoamento de petróleo e gás (manifold) na P-52 até dezembro de 2014. Nos últimos anos, Roncador registrou queda de 27% em seu volume de produção.

A Petrobras informou que ainda não foi oficialmente comunicada sobre as exigências da ANP para Roncador. A estatal destacou, porém, que mantém os técnicos da ANP informados sobre toda a estratégia de desenvolvimento do campo. A empresa ressaltou que utiliza as práticas mais modernas para obter o máximo de recuperação da produção. E acrescentou que a avaliação de oportunidades de seus ativos de produção é permanente e que a aplicação de investimentos é sempre avaliada na revisão anual do Plano de Negócios da companhia.

Na mesma reunião, a ANP aprovou também o plano de desenvolvimento do campo de gás de Camapu, na Bacia de Campos, no litoral do Espírito Santo, mas condicionado a exigências. Uma delas é a apresentação de um projeto, até 31 de outubro, para desenvolver áreas remanescentes ainda não exploradas e estudos que levem em conta a perfuração de um poço adicional.