Título: Denúncia de propina atinge candidatos no Congresso
Autor: Souza, André de; Gama, Junia
Fonte: O Globo, 27/01/2013, País, p. 11
Segundo 'Época', PF liga Renan e Henrique Alves a empreiteiro suspeito
Brasília Na esteira dos escândalos envolvendo os candidatos favoritos à presidência da Câmara e do Senado, que contam com aval do Palácio do Planalto, a revista "Época" desta semana traz reportagem em que afirma ter tido acesso à íntegra da Operação Navalha, realizada em 2007 pela Polícia Federal. Segundo a revista, a PF acusa homens de confiança do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e do candidato a presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), de, respectivamente, receber propina e traficar influência em benefício de um empreiteiro.
A operação revelou um esquema comandado pelo empreiteiro Zuleido Veras, da construtora Gautama, acusado de pagar propina a políticos e burocratas em troca de contratos com ministérios de Brasília e governos estaduais. Segundo a revista, "há evidências fortes de pagamentos de propina para Renan e Henrique".
"Época" cita a construção da barragem Duas Bocas/Santa Luzia, no Rio Pratagy, em Alagoas, como obra que foi envolvida em esquemas de corrupção, afirmando que Zuleido tentava liberar dinheiro para a obra mobilizando tanto Renan quanto assessores de Alves. De acordo com a revista, a polícia teria concluído que Zuleido entregou o dinheiro ao secretário de Infraestrutura de Alagoas e presidente do diretório municipal do PMDB em Maceió, Adeílson Bezerra, indicado para os cargos por Renan.
Em um dos trechos transcritos, a revista relata que Adeílson diz a um amigo: "Nós tamos descendo lá para a casa do Renan para conversar com ele rápido, porque ele vai viajar, vai para a fazenda. Aí eu vou conversar com ele, dar um pacotão do Rei Leão". A revista afirma que os delegados da PF suspeitam que o "pacotão" contivesse R$ 145 mil entregues por Zuleido a Adeílson.
Henrique Eduardo Alves disse, por meio da assessoria, que só assumiu a liderança em fevereiro de 2007 e não tem conhecimento dos fatos relatados na matéria. Em nota, a liderança do PMDB criticou a matéria, afirmando que o deputado "recebeu com perplexidade e indignação" a reportagem e que se trata de uma "antiga investigação criminal, que sequer cita seu nome".
O assessor de Alves citado na matéria, Francisco Bruzzi, alegou que os fatos descritos foram "amplamente apurados pelos órgãos competentes" e que não foi imputada "qualquer responsabilidade" sobre ele, que não foi indiciado pela PF, nem denunciado pelo MP, na ocasião.
Em nota, Renan diz que as denúncias "são antigas e vazias" e nega que Adeilson tenha sido seu assessor e refuta ter sido responsável por indicá-lo a qualquer cargo no governo alagoano. Afirma ainda que jamais foi investigado na Operação Navalha.