Título: Operador do mensalão se irrita com jornalistas
Autor: Fagundes, Ezequiel
Fonte: O Globo, 02/02/2013, País, p. 8
Sumido desde que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 40 anos de prisão, em dezembro, acusado de ser o operador do mensalão, Marcos Valério reapareceu ontem de manhã na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, onde permaneceu por uma hora e 20 minutos. Valério prestou depoimento em inquérito instaurado em São Paulo para apurar uma suposta lista de beneficiários do mensalão mineiro - como ficou conhecido o processo que apura o uso de caixa dois na reeleição do ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998.
Em seu depoimento, Valério, segundo o advogado Sérgio Leonardo, negou a autoria da lista. Desmembrado, parte do processo sobre o mensalão mineiro está no STF, e outra parte, na Justiça Federal em Minas Gerais.
Trajando blazer, calça e camisa preta, Valério chegou às 10h20m acompanhado do advogado. Bastante irritado com a presença de repórteres do GLOBO, Valério não quis dar entrevista.
- Sai da minha frente. Aqui dentro você não pode ficar - gritou ele, enquanto entregava seus documentos na portaria da delegacia.
Valério já está indiciado em outro inquérito da PF. Derivado da Operação Terra do Nunca, da PF da Bahia, o inquérito o acusa dos crimes de estelionato, uso de documento falso e falsidade ideológica. A agência DNA Propaganda, de Valério, tinha uma dívida de R$ 9,5 milhões com o INSS. Como garantia em penhora de execução fiscal, ofereceu cinco fazendas na cidade de São Desidério, na Bahia. Os imóveis, na realidade, não existem. De acordo com a PF, o objetivo da fraude era quitar o débito fiscal para a DNA Propaganda e conseguir certidão negativa de débito para poder participar de licitações públicas.
Em seu interrogatório, Valério disse que a compra das propriedades foi feita por decisão do então presidente da DNA, Daniel de Freitas, já morto. Valério disse não se recordar quando assinou as escrituras e que acredita que a DNA foi vítima de um golpe.