Título: Em 2 anos, 45 mil foram assentados
Autor: Souza, André de
Fonte: O Globo, 09/02/2013, País, p. 3
Em dois anos de governo Dilma, pouco mais de 45 mil famílias foram assentadas pelo programa de reforma agrária. O número foi publicado pelo GLOBO em reportagem em janeiro deste ano, que mostrou o forte descenso no programa de reforma agrária. Em 2011, foram assentadas 22 mil famílias, a pior marca desde o governo Fernando Henrique. Segundo o Incra, em 2012 foram 23 mil. O instituto reduziu no ano passado a meta de 35 mil para 22 mil famílias atendidas. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) chegou a estimar que, no ano passado, o número de assentamentos não atingiria 10 mil famílias.
Segundo o Incra, nos dois primeiros anos de governo, Fernando Henrique assentou 105 mil famílias. Já o ex-presidente Lula assuntou 117,5 mil no mesmo período de gestão. No momento de maior crise política, entre o escândalo do mensalão, em 2005, e a campanha de 2006, Lula deu mais peso aos apelos dos movimentos sociais, assentando 263,8 mil famílias. Já o ponto mais alto de Fernando Henrique na reforma agrária foi no ano de sua reeleição, 1998, com 101 mil famílias assentadas.
O MST tem organizado um calendário com ocupações e manifestações de rua. Um dos focos de crítica, além do governo, é o Poder Judiciário, já que a posse de terra de dois assentamentos em São Paulo está sub judice, com risco de revisão da desapropriação feita pelo governo e de desassentamento das famílias.
Também em janeiro, O GLOBO publicou o drama de milhares de jovens de uma população de quatro milhões de assentados da reforma agrária no país que marcham rumo aos centros urbanos. Desiludidos com a falta de perspectivas no campo, partem em busca de qualidade de vida, educação, renda e lazer. Não existem estatísticas oficiais sobre o êxodo de jovens dos assentamentos do Incra, mas a Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf) estima que oito entre dez filhos de assentados abandonaram o campo ou ainda pretendem fazê-lo.
Já o MST aponta uma evasão de 60%. O movimento tem feito mobilizações para tentar fixar o jovem na terra. No Rio Grande do Sul, o próprio Incra estima que sete em cada dez descendentes de assentados não permanecem no campo.
Tanto o MST quanto a Fetrag alertam que a falta de medidas urgentes por parte do governo federal provocará o esvaziamento da força de trabalho. Os números do Censo do IBGE apontam que, de 2000 a 2010, a população rural diminuiu 6%, enquanto a urbana cresceu 17%. Entre jovens de 15 a 29 anos, houve queda de 9% no campo, ao passo que, nas cidades, o mesmo grupo etário aumentou 11%. Segundo o Incra, 37,3% da população nos assentamentos têm entre 11 e 30 anos.
Pelo menos 12% dos assentamentos não têm fonte segura de energia elétrica, falta crédito rural e não há acesso à internet.