Título: G-20 se opõe a guerra de moedas, mas não critica política japonesa
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Fonte: O Globo, 17/02/2013, Economia, p. 34

Documento final do grupo está mais alinhado ao comunicado do G-7

O G-20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, declarou ontem que não deveria haver uma "guerra de moedas" e defendeu que sejam estabelecidos novos objetivos de redução de dívidas, em um indício de preocupação com o frágil estado da economia mundial.

As políticas expansionistas do Japão, que deixaram baixar o iene, escaparam das críticas do comunicado acordado em Moscou pelos responsáveis financeiros do G-20, que juntos são responsáveis por 90% da economia mundial.

Após conversas mantidas na noite de sexta-feira, os ministros de finanças e presidentes de banco centrais concordaram com a formulação mais próxima da declaração da última terça-feira do G-7, grupo das economias mais ricas e que apoia taxas de câmbio determinadas pelo mercado.

Um esboço do comunicado do G-20 ao qual os delegados tiveram acesso na sexta-feira tinha se distanciado do comunicado do G-7, mas a versão final incluiu um compromisso do G-20 em conter-se ante desvalorizações competitivas e estabelecer uma política monetária que possa apontar para a estabilidade de preços e crescimento.

No esboço, cuja parte do teor foi divulgada na sexta-feira, o grupo das 20 maiores economias do mundo dizia que não iria censurar o Japão por desvalorizar o iene e desconsideraria um pedido feito pelo G-7 (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Canadá e Itália) para conter o uso de políticas econômicas para manipular as taxas de câmbio. O comunicado a que a Reuters teve acesso antes da publicação não assinalava o Japão por suas agressivas políticas monetárias que, recentemente fez baixar 20% do valor do iene.

—Essa linguagem foi reforçada em nossas discussões na noite passada (sexta-feira) — disse à imprensa o ministro canadense de Finanças, Jim Flaherty. — É mais forte do que era, mas à noite ficou bastante claro que todo mundo na mesa quer evitar qualquer situação de disputa monetária.

— Todos nós estivemos de acordo sobre o fato de que nós nos recusamos a entrar em qualquer guerra fiscal — afirmou o ministro francês de Finanças, Pierre Moscovici, a repórteres. •