Título: Presidente ataca mercadores do pessimismo
Autor: Braga, Isabel; Alencastro, Catarina
Fonte: O Globo, 03/03/2013, País, p. 8
Mas até aliados, como Renan Calheiros, reclamam do PIB de 0,9%
BRASÍLIA Um dia depois da divugação do "pibinho" de 0,9% em 2012, a presidente Dilma Rousseff, no discurso na convenção do PMDB, preferiu ontem bater nos críticos de seu governo. Em um ataque à oposição, disse que quem torce contra, perdeu. Afirmou que ninguém pode dizer que o país não tem suas finanças sob controle e que, mais uma vez, os "mercadores do pessimismo" vão perder, como perderam quando previram o racionamento de energia.
- Mais uma vez os que apostam todas as fichas no fracasso do país vão se equivocar. Torcer contra é o único recurso daqueles que não sabem agir a favor do Brasil - afirmou.
Mas o crescimento de 0,9% da economia, bem abaixo do que a própria equipe econômica de Dilma anunciara ano passado, foi alvo de críticas até dos aliados, em discursos que antecederam ao da presidente:
- Precisamos crescer não 0,9%, mas 4,5,6, 7%. Há um tempo o Brasil era um dos que mais crescia. Isso precisa voltar a acontecer. Essa é a nossa vocação - disse o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Ao defender a política social de seu governo, Dilma citou o discurso que Tancredo Neves (avô de seu potencial rival em 2014, o tucano Aécio Neves) preparou para a sua posse, que não chegou a ocorrer. Segundo ela, quase três décadas após escritas as palavras de Tancredo, seu governo está transformando o Brasil em um país de classe média, com a ajuda do PMDB e demais aliados.
- Queria lembrar Tancredo em seu discurso de posse, que nos deixou palavras que estamos tornando realidade 28 anos depois. Tancredo Neves dizia: enganam-se os que imaginam possível levantar uma nação rica sobre os ombros de um povo explorado, marginalizado, doente e triste. Uma nação só crescerá quando crescer cada um de seus cidadãos, no conhecimento, na saúde, na alegria e na liberdade - disse.
Antes da presidente chegar ao evento, os líderes do PMDB pregaram a continuidade da aliança entre PT e PMDB para 2014. O presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), disse que a chapa Dilma-Temer será reeditada em 2014 e que o partido irá se preparar para ter candidato próprio em 2018.
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), também defendeu a aliança:
- Vamos, em 2013, realizar as esperanças do povo e em 2014 colhermos os frutos para tornar Michel vice-presidente, Dilma reeleita presidente e elegermos o maior grupo de governadores, deputados e senadores.