Título: Relator no TCU deve pedir devolução de mais de R$ 1 milhão por ação suspeita no Esporte
Autor: Sassine, Vinicius
Fonte: O Globo, 12/03/2013, País, p. 4

Militante do PCdoB, servidor do tribunal teria feito repasse irregular

Um servidor do Tribunal de Contas da União (TCU) e militante do PCdoB pode ser obrigado a devolver R$ 1,4 milhão aos cofres públicos, dinheiro referente a um convênio firmado por meio do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. Oito anos depois de o ministério fazer o repasse milionário ao então presidente da Associação dos Servidores do TCU (ASTCU), Waucilon Carvalho Sousa, o tribunal caminha para um veredicto sobre o caso.

O ministro Aroldo Cedraz deve votar pela devolução integral do dinheiro, como manifestou em voto repassado aos outros ministros do TCU. Se o tribunal confirmar a decisão, será um dos maiores pedidos até agora de restituição de recursos públicos desviados no esquema montado com o Segundo Tempo.

Em vez de ser destinada a atividades esportivas em comunidades carentes, parte dos recursos do Segundo Tempo era usada com finalidade partidária, em repasses direcionados a entidades comandadas por filiados do PCdoB. Investigações sobre o esquema remontam à gestão de Agnelo Queiroz, atual governador do Distrito Federal. Quando a ASTCU recebeu R$ 1,4 milhão, em 2004, Agnelo era o ministro. Em 2006, Waucilon se candidatou a deputado do DF. No TCU, atua hoje no treinamento de servidores.

- Os repasses foram de R$ 1 milhão em dinheiro e o restante em material esportivo. Repassei o dinheiro para creches, igrejas e associações de moradores no DF. O ministério perdeu as notas fiscais dos serviços prestados. Por isso demorei para apresentar os documentos ao ministro Cedraz, que não vai votar pela devolução do dinheiro - disse.