Título: Lula: doação privada deve virar crime inafiançável
Autor: Lima, Maria; Bonfati, Cristiane
Fonte: O Globo, 27/03/2013, País, p. 6

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs ontem que o Brasil adote o financiamento público de campanhas e transforme o financiamento privado em "crime inafiançável". Afirmou ainda que, se o Congresso não aprovar a reforma política, deve ser criada uma assembleia constituinte exclusiva para o tema.

- A gente deveria não só aprovar o financiamento público de campanha, como tornar crime inafiançável o financiamento privado - disse Lula, em seminário promovido pelo jornal "Valor Econômico".

Durante todo o processo do mensalão, o PT sustentou que as atividades da cúpula do partido configuravam caixa dois de campanha eleitoral. Porém, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os ex-dirigentes pelos crimes de corrupção e formação de quadrilha.

Lula também criticou candidatos que adotam como bandeira de campanha o combate à corrupção, citando o senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL), do qual passou a ser aliado durante o seu governo, e o ex-presidente e ex-prefeito de São Paulo Jânio Quadros.

- Cuidado com todo mundo que utiliza a corrupção como bandeira de campanha porque ele pode ser pior do que aquele a quem está acusando.

Durante o seminário, Lula afirmou ainda que tentou fazer a reforma política enquanto esteve no poder, sem sucesso. E voltou a defender que, diante do impasse no Congresso sobre o tema, seja convocada uma constituinte para discutir apenas a reforma política. O líder petista se mostrou pessimista com a possibilidade de que as propostas sobre o tema em tramitação na Congresso prosperem.

- Não acredito que o Congresso vote a reforma porque as pessoas que estão lá querem continuar com o status quo que existe hoje.

Ele declarou ainda se sentir à vontade para defender a reforma política porque o seu partido, o PT, tem "pelo menos 30%" dos votos em eleições. Bastante rouco, Lula, que descobriu um câncer na laringe em 2011, disse que estava com a garganta cansada.

- Não se preocupem que não é o câncer. O câncer não existe mais.