Título: Ministro defende ajuda de BNDES e Anac a companhias aéreas
Autor:
Fonte: O Globo, 06/04/2013, Economia, p. 27
Moreira Franco confirma pedido de estudos para fortalecer empresas
A Secretaria de Aviação Civil pediu ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estudos para ajuda às companhias aéreas, afirmou ontem o novo ministro à frente da pasta, Moreira Franco. Em entrevista no Rio de Janeiro, Franco afirmou que, além de aeroportos eficientes, o setor precisa de companhias fortes.
- Já pedi para que BNDES e Anac façam estudos, porque precisamos de empresas robustas. De que adianta buscarmos ter aeroportos sensacionais e não termos empresas? - disse.
Gol e TAM, as duas maiores empresas do setor no Brasil, fecharam 2012 com resultados desanimadores. A Gol teve prejuízo de R$ 1,5 bilhão. A Latam (resultado da união da chilena LAN e da brasileira TAM) registrou lucro de apenas US$ 11 milhões, 97% inferior ao de 2011.
As empresas reclamam do aumento de custo do querosene de aviação e alegam que reduziram os preços das passagens nos últimos anos, o que pressionou as margens. Medidas como recomposição de malha e redução de frequências estão entre as adotadas pelas companhias para melhorar a lucratividade. Questionado se poderia haver uma ajuda financeira do BNDES ao setor aéreo, Moreira afirmou que só poderia se posicionar após a conclusão do estudo.
Na Bolsa, as ações da Gol, que chegaram a cair mais de 6% ontem, inverteram a queda após as declarações e fecharam na máxima da sessão, em alta de 2,67%. Nesta semana, a agência de classificação de risco Fitch reduziu o rating da companhia para "B-", com perspectiva negativa. O ministro voltou a defender maior participação das empresas estrangeiras nas companhias aéreas nacionais. Para ele, o limite previsto em lei, de 20%, é ultrapassado.
- Hoje já há mecanismos no mercado que permitem uma empresa com uma participação menor ter forte influência sobre uma companhia. O mais importante é que a empresa seja sediada no Brasil, respeite as leis brasileiras e os regulamentos da Anac e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) - afirmou.
O ministro disse ainda que o governo vai se empenhar para que os aeroportos passem a liberar cargas 24 horas por dia, sete dias por semana. Na próxima semana, Franco vai se reunir com representantes das categorias e dos órgãos que atuam na liberação de carga para tentar um acordo.