Título: Servidores decidem fazer cerco a Lula
Autor: Allan, Ricardo
Fonte: Correio Braziliense, 25/10/2009, Economia, p. 18
Falta de acordo e fim do governo leva categoria a apelar para diálogo direto com presidente
Plenária de ontem: opção por acampamento no CCBB, sede provisória do governo, e abordagem direta a Lula
Os representantes sindicais dos servidores públicos federais prometem fazer um cerco ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de organizar duas manifestações no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), nas últimas semanas, eles querem abordar Lula em manifestações públicas e não descartam acampar em frente à sede temporária da Presidência da República. O objetivo é negociar pessoalmente com o presidente as reivindicações da categoria, que ameaça entrar em greve por tempo indeterminado a partir de 10 de novembro. Os sindicatos consideram esgotadas as tentativas de acordo com o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, que vinha tentando o entendimento.
¿Não abrimos mão de conversar diretamente com o Lula. Não podemos deixar seu governo acabar sem resolver nossas reivindicações históricas. Temos até março do ano que vem para isso. Depois, vai ficar difícil¿, disse ontem o secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal (Sindsep-DF), Oton Pereira Neves. Em março, o processo orçamentário terá se encerrado com a edição do decreto de programação financeira, que limita os gastos do governo de acordo com a arrecadação. Além disso, a legislação proíbe a concessão de aumento salarial até seis meses antes de eleições ¿ em outubro de 2010, os brasileiros escolherão novos presidente, governadores, senadores e deputados.
A estratégia de partir para o corpo a corpo com Lula foi definida numa reunião plenária ontem. Na quinta-feira, Bernardo aceitou a proposta do relator do Orçamento da União, deputado Geraldo Magela (PT-DF), de aumentar o valor máximo do tíquete alimentação dos atuais R$ 162 para R$ 330, o que vai custar R$ 930 milhões. O ministro acenou também com a formação de um grupo de trabalho para estudar a reestruturação de algumas tabelas de vencimentos.
Mas as promessas não agradaram. Entre outras coisas, os sindicatos pedem a equiparação com o tíquete do Legislativo e do Judiciário (R$ 650), fixação de 1° de janeiro como data-base para acordos salariais, substituição de terceirizados por concursados e contrapartida maior da administração no auxílio-saúde. Outra exigência é a isonomia salarial entre o pessoal da ativa e os aposentados. Alguns órgãos, como o Ministério do Trabalho, podem antecipar a greve para o dia 5.
O número R$ 330 Valor do novo tíquete alimentação dos servidores no Orçamento da União de 2010 confirmado pelo governo