Título: Fatura da conta na mesa
Autor: Campbell, Ullisses
Fonte: Correio Braziliense, 14/11/2009, Brasil, p. 17

Dilma Rousseff e Carlos Minc anunciam a distribuição por setor das metas de redução da emissão de gases do efeito estufa. Mas não detalham como o objetivo será alcançado

Alexandre Padilha acredita que ¿o Brasil vai chegar bem a Copenhague¿

São Paulo ¿ Apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defender uma meta ambiental ambiciosa para ser levada à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em dezembro, em Copenhague, o governo não apresentou ontem um detalhamento de como alcançará os objetivos propostos. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidatada do PT à Presidência da República, disse apenas que o governo brasileiro vai conseguir honrar o compromisso principalmente contendo o desmatamento na Amazônia e no cerrado. ¿É uma ação voluntária do governo¿, frisou a ministra várias vezes.

Pelos cálculos do governo, a meta de reduzir em até 38,9% as emissões de gases até 2020 será alcançada da seguinte maneira: 24,7% do total virão da redução do desmatamento na Amazônia e do cerrado. Outros 6,1% serão alcançados graças às ações na agropecuária. A ideia do governo é recuperar áreas de pastagem. Trabalha-se ainda com 7,7% de projetos na área de energia. Para isso, o governo pretende expandir a oferta de energia por hidrelétricas. Os 0,4% restantes viriam de operações no ramo de siderurgia.

O governo vai tentar convencer empresas, como a Companhia Vale do Rio Doce, a não usarem mais carvão vegetal na linha de produção. ¿Nosso objetivo é assumir uma posição política, de que o Brasil tem compromisso com o desenvolvimento sustentável e a preocupação com a emissão de gases-estufa¿, ressaltou Dilma

De acordo com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a aplicação das metas não sairá do papel se não houver financiamento. Para isso, o governo conta com o cofre do Banco Mundial, que prevê investimentos na ordem de US$ 400 bilhões para combater o aquecimento global até 2020. A União Europeia também está disposta a contribuir com 100 bilhões de euros, mais de US$ 149 bilhões. ¿Precisamos de recursos de fora, mas também temos recursos próprios para garantir o cumprimento desses compromissos¿, garantiu Minc.

Petróleo Parte desse dinheiro a que o ministro se refere viria do petróleo. O governo pretende destinar 6% do lucro do petróleo para projetos ambientais. ¿Seremos o único país em Copenhague com um fundo ambiental cuja origem é o combustível fóssil. Além do Fundo Amazônia, que destinará R$ 800 milhões ao ano para isso¿, disse o ministro.

A proposta brasileira apresentada ontem foi elaborada pelos ministérios do Meio Ambiente, das Relações Exteriores, da Agricultura, da Fazenda, de Ciência e Tecnologia e de Minas e Energia. Segundo o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, antes de se definir a meta, Lula conversou com representantes dos governos de países sul-americanos como a Venezuela, o Peru, o Equador e a Colômbia para discutir pontos em comum a serem levados a Copenhague. ¿O Brasil vai chegar bem a Copenhague, pois registrou a menor taxa de desmatamento na Amazônia dos últimos 21 anos, graças ao empenho que está sendo dedicado a essa área¿, ressaltou Padilha.