Título: PIB sobe 2%, diz Mantega
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Fonte: Correio Braziliense, 10/12/2009, Economia, p. 31
Números oficiais do 3º trimestre serão divulgados hoje. Para o próximo ano, a previsão é de 6%
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que a economia brasileira deve ter crescido 2% no terceiro trimestre. Os dados oficiais serão divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o ministro, entre 2010 e 2014 o Brasil terá expansão média anual de 5% ou mais. ¿Há uma mudança qualitativa que nos leva a um padrão mais avançado de desenvolvimento e que deverá se consolidar nesse próximo ciclo, a ser impulsionado pela demanda doméstica¿, salientou o ministro em apresentação no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Para assegurar esse ritmo, o governo federal anunciou um pacote de medidas (leia quadro abaixo).
A previsão da maioria dos analistas econômicos é de crescimento em torno de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010. Um dos fatores que motivarão essa ampliação é a política de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). ¿Temos hoje R$ 126 bilhões de desembolsos programados para 2010¿, informou o presidente do banco de fomento, Luciano Coutinho, durante reunião do CDES.
Segundo ele, essa cifra prevista para liberações resulta das políticas governamentais de apoio ao investimento privado. ¿Temos certeza que no próximo levantamento (do plano de investimento das empresas) a indústria em geral mostrará um retorno dos planos de investimento¿, disse Coutinho. De acordo com o presidente do BNDES, a ampliação das inversões é essencial para dar sustentabilidade ao maior ritmo da economia. Nesse aspecto, o banco de fomento deve desenvolver uma nova linha do Finame, que poderá ser utilizada para financiar as empresas que precisarem comprar equipamentos no exterior. Coutinho disse ainda que o BNDES apoiará os bancos privados, quando esses forem autorizados a emitir debêntures. O BNDES participará com R$ 10 bilhões. ¿Queremos dar garantia firme à emissão de debêntures¿, afirmou.
As medidas
O pacote desenvolvimentista divulgado pelo Ministério da Fazenda
Criação de linha de crédito no valor de R$ 80 bilhões para financiar investimentos pela indústria
Prorrogação até junho de 2010 do programa destinado à compra de máquinas pesadas com financiamento do BNDES, cuja linha disporá de R$ 44 bilhões
Autorização para que bancos se capitalizem a longo prazo por meio de emissões de dívida no mercado acionário (debêntures)
Prorrogação de desconto de IPI sobre o setor de bens de capital para compra de peças e máquinas à indústria
Autorização de empréstimo no valor de R$ 15 bilhões à indústria naval para financiamento de embarcações e plataformas exploratórias de petróleo e gás
Isenção permanente de IPI incidente sobre aerogeradores de energia eólica
Prorrogação do desconto de PIS/Cofins para a compra de computadores até 2014
Criação do programa Um Computador por Aluno, que consiste na compra de 150 mil computadores para serem utilizados em escolas públicas
Ampliação do limite de crédito do cartão BNDES de R$ 500 mil para R$ 1 milhão por empresa
Reforço de R$ 10 bilhões no caixa do BNDES para garantir a emissão de debêntures por bancos privados
Empréstimos a trabalhadores para que esses adquiram ações (quotas de participação) da empresa em que prestam serviço
Apoio financeiro para que bancos privados que operam em outros países disponibilizem linhas de crédito às exportações brasileiras de máquinas, equipamentos e serviços
Fontes: Ministério da Fazenda e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
EUA quer ampliar plano de resgate
O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, solicitou ontem ao Congresso a prorrogação, até outubro de 2010, do plano de US$ 700 bilhões para estabilizar o sistema financeiro. Geithner expressou em carta a líderes do Congresso que, embora a situação econômica esteja se estabilizando, é prudente dar continuidade ao programa conhecido como Troubled Asset Relief Program (Tarp) até 3 de outubro de 2010.
Geithner afirma que a prorrogação ¿é necessária para assistir às famílias americanas e estabilizar os mercados financeiros¿, além de ¿manter a capacidade de responder a ameaças imprevistas¿. ¿Embora estejamos estendendo este programa de US$ 700 bilhões, não esperamos utilizar mais de US$ 550 bilhões¿, afirma na carta dirigida à presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, e ao líder da maioria democrata do Senado, Harry Reid. ¿Esperamos também mais de US$ 175 bilhões de reembolso até o fim do próximo ano e substanciais pagamentos adicionais¿.
O programa de resgate foi aprovado pelo Congresso em outubro de 2008 com o objetivo de resgatar os bancos. Ante às dificuldades surgidas posteriormente, a utilização dos recursos do Tarp foi reorientada a finalidades diversas como, por exemplo, a salvaguarda da indústria automotiva americana. A lei estipula que o Tesouro pode lançar mão de um montante de até US$ 700 bilhões antes de 31 de dezembro de 2009, mas pode estender sua utilização, por notificação escrita ao Congresso.