Título: Lula sobe em palanques petistas em SP pela 3ª vez
Autor: Boechat, Yan
Fonte: Valor Econômico, 29/09/2008, Política, p. A6

No último fim de semana antes do primeiro turno das eleições para prefeito, o presidente Luís Inácio Lula da Silva voltou a utilizar seu inédito índice de aprovação para apoiar candidatos petistas no interior de São Paulo. Sempre ressaltando os bons números econômicos que dispõem o país e das realizações de seu governo, no domingo o presidente subiu pela segunda vez no palanque de Luiz Marinho em São Bernardo do Campo, a cidade onde vota. Ao lado de petistas como o senador Eduardo Suplicy, o presidente da Câmara Arlindo Chinaglia e o deputado federal Vicentinho, Lula disse às cinco mil pessoas que participaram do comício que o ex-ministro da Previdência, o candidato a prefeito Luiz Marinho, é o tipo de pessoa a quem ele daria um cheque em branco assinado. Foto - Raimundo Pacco / Folha Imagem Presidente afirmou que daria um cheque em branco assinado a Luiz Marinho

No sábado, o presidente participou de comícios ao lado dos candidatos de Osasco, Emídio de Souza; de Guarulhos, Sebastião Almeida; e de São José dos Campos, Carlinhos Almeida . Na semana passada, Lula fez comício em favor da candidata Marta Suplicy na capital do Estado e de Oswaldo Dias em Mauá (SP). No começo do mês, esteve em Santo André e em São Bernardo do Campo.

Em todos os discursos do fim de semana, Lula fez questão de reforçar a idéia de que o país está sólido para enfrentar a atual crise financeira que abala os mercados internacionais. "Graças a Deus a era dos economistas mandarem acabou. Agora é a vez de a engenharia voltar a ter papel importante neste país", afirmou o presidente em São Bernardo do Campo, se referindo ao fato de o Brasil deter reservas em moeda forte de mais de US$ 200 bilhões. "O Brasil está forte para enfrentar a crise americana ou qualquer crise que surja", disse. Lula ainda reforçou a idéia de que os candidatos do PT terão espaço para reivindicar recursos para as suas cidades. "Não discrimino ninguém, mas tem gente que deixa as divergências políticas e pessoais se intrometerem em questões sérias como essa. O Dib ( William Dib (PSB), prefeito de São Bernardo) nunca enviou um projeto de obras para o PAC e sem projeto não tem dinheiro", disse o presidente.

A estratégia de Lula nesta rodada de comícios em São Paulo era a de dar um último fôlego nas campanhas de candidatos que tinham chances de vencer no primeiro turno ou reforçar o apoio àqueles candidatos que estão em disputa acirrada. Tanto em São Bernardo, onde Marinho lidera com 38% das intenções de voto, como em Osasco, onde o atual prefeito Emídio de Souza tem a preferência de 42% dos eleitores ouvidos pelo Ibope, o presidente repetiu aos militantes que participaram dos comícios que era hora de se fazer o último esforço para não deixar as eleições irem para o segundo turno. Em São José dos Campos, onde Carlinhos Almeida está com 33%, 12 pontos percentuais atrás do candidato do PSDB, Eduardo Cury, Lula preferiu comparar seu governo ao de Fernando Henrique Cardoso.

Mesmo em Guarulhos, onde o candidato petista Sebastião Almeida, está com 24% tecnicamente empatado com o candidato do PV, Jovino Cândido, com 21%, Lula se referiu a uma improvável vitória já no próximo domingo. "Se vocês me derem de presente esta eleição no primeiro turno, estarei aqui na posse em primeiro de janeiro", disse o presidente.

Apesar de a campanha eleitoral ser encerrada na próxima quinta-feira, está não foi o último esforço de Lula em eleger os candidatos do PT nas principais cidades de São Paulo. Lula prometeu que já na sexta-feira estará de volta a São Bernardo. "Não podemos fazer discurso, mas vamos fazer um almoço com todos os candidatos da região no sábado antes da eleição", disse.

O tom do presidente foi praticamente o mesmo nas quatro participações que teve. Sempre bem-humorado e, volta e meia, fazendo brincadeiras envolvendo futebol e seu time do coração, o Corinthians, o presidente fez questão de comparar os feitos de seus mandatos com o dos antecessores, dando especial atenção aos oito anos em que Fernando Henrique Cardoso esteve no poder. "Perguntem ao Alckmin se ele recebeu do FHC 10% do que eu passei para ele", disse ao presidente durante o comício realizado em Guarulhos.