Título: Só a receita com tarifas soma R$ 6,6 bilhões
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 22/02/2005, Finanças, p. C8

Boa parte do vistoso lucro do Banco do Brasil em 2004 foi conquistado graças à cobrança de maiores tarifas dos clientes. As receitas obtidas com o Plano Ouro, o pacote de tarifas da instituição, subiram 38,24% em 2004, chegando a R$ 1,148 bilhão. Essa receita adicional se explica, parcialmente, pelo aumento da base de clientes - que passou de 18,8 milhões para 22,2 milhões no ano. Mas houve também um efeito-preço: em meados do ano passado, o BB mudou a forma como concedia descontos nas tarifas - em vez de fazer abatimentos de acordo com os volumes aplicados, instituiu uma fórmula que leva em conta o relacionamento total com o banco. "Essa mudança significou que um maior número de clientes passou a ter descontos no pacote de tarifas, mas com valores menores", disse o diretor de varejo do BB, Edson Monteiro. "Mas, no conjunto da clientela, a mudança teve o efeito de aumentar a arrecadação com tarifas." No quesito tarifas, os bancos em geral tem aumentado receitas, mas o BB vem avançando mais rápido. Nos últimos três anos, as receitas de prestação de serviços cresceram 58,1%, enquanto no BB subiram 66,9%. No total, a prestação de serviços rendeu R$ 6,607 bilhões ao BB só em 2004. Ao lado das tarifas de relacionamento com clientes, a que mais cresceu foi a cobrada na administração de fundos de terceiros, com alta de 27,6%. Esse tipo de receita rendeu R$ 993 milhões ao banco. A receita cresceu porque o BB passou a administrar mais fundos do setor público, de investidores institucionais e de pessoas físicas. Também houve altas expressivas nas receitas de serviços de cartões de crédito (22,3%) e de cobranças (27,6%). Os resultados só não foram melhores por causa da greve dos funcionários em 2004. Ao mesmo tempo em que elevava receitas, o BB conseguiu manter sob relativo controle os gastos com pessoal, que subiram apenas 4,5%. O banco vem sendo bem-sucedido em sua estratégia de ampliar o número de novos funcionários, que têm menos benefícios, em relação ao quadro total - passaram de 33,4% para 38,5% entre 2003 e 2004. O lado negativo no balanço foi o aumento das despesas administrativas, excluindo pessoal, que subiram 21,1%. A explicação é o crescimento orgânico do BB, tanto em número de clientes quanto de agências (expansão de 3,5%, para 14.450 pontos de atendimento). O destaque é o gasto com marketing e relações públicas, que subiu 65,2%, para R$ 556 milhões. O banco sustenta que, em um cenário de competição acirrada pelo mercado de crédito, teve de gastar mais com a promoção de produtos. O gasto na área por cliente saltou de R$ 17,93 para R$ 25,77.