Título: Lucro anual do BB cresce 27% e atinge R$ 3 bilhões
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 22/02/2005, Finanças, p. C8

Apesar do mercado mais competitivo, com os bancos privados entrando de vez na disputa pela concessão de crédito, o Banco do Brasil conseguiu elevar em 27% seu lucro em 2004, para R$ 3,024 bilhões. O retorno sobre o patrimônio líquido médio também cresceu: passou de 22,3% para 23% no período. Essa taxa de retorno coloca o BB dentro da média dos grandes bancos privados de varejo. "O resultado de 2004 consolida uma tendência de rentabilidade no padrão do mercado, sem abrir mão da missão de colocar em prática políticas de desenvolvimento econômico e social", afirmou o presidente interino do BB, Rossano Maranhão Pinto. No ano passado, o BB perdeu terreno no mercado de crédito. Sua carteira (sem descontar provisões) avançou 14,1%, chegando a R$ 88,554 bilhões, ante uma expansão estimada em 17,6% no sistema financeiro como um todo. Ainda assim, o banco conseguiu elevar expressivamente as suas receitas com operações de crédito - de R$ 16,167 bilhões para R$ 17,086 bilhões -, graças a uma melhora de sua composição, com o avanço de empréstimos para pessoas físicas, o segmento mais rentável. O lucro do BB também foi turbinado pelas receitas de prestação de serviços (tarifas), que aumentaram 20,3%, para R$ 6,607 bilhões. Os gastos com pessoal tiveram uma leve alta no período (4,5%). Com isso, as receitas de prestação de serviços passaram a cobrir 96,9% das despesas de pessoal, ante 82,4% observados em 2003. O desempenho do BB em 2004 pode ser dividido em dois momentos. Até o terceiro trimestre, o banco teve que conviver com um cenário de compressão de margens, em virtude da queda da taxa básica de juro. Até esse período, o BB conseguiu manter a rentabilidade graças a uma nova composição da sua carteira, com menor participação de títulos públicos e avanço do crédito. A partir de setembro, com a retomada das altas do juro pelo Banco Central, o BB passou a ganhar em duas frentes: aumento das margens financeiras e expansão do volume de crédito. Esse quadro fica mais claro quando analisados os ativos (excluindo o permanente) e os spreads (receitas financeiras, sem contar provisões, divididas pelos ativos) no ano. O spread do BB se reduziu de 7,36% para 6,91% entre 2003 e 2004, em virtude da queda da taxa Selic média entre um ano e outro. Essa queda no spread, porém, foi compensada pelo aumento dos ativos, que passaram de R$ 208,198 bilhões para R$ 227,541 bilhões. O que mais contribuiu no avanço dos ativos foram as operações de crédito. Os títulos e valores mobiliários e as aplicações interfinanceiras se reduziram, passando de R$ 91,985 bilhões para R$ 90,178 bilhões. Vale notar que, dentro das operações de crédito, as que estão ganhando maior importância (expansão de 21,65% no ano, para R$ 16,025 bilhões) são os empréstimos a pessoas físicas, justamente as que têm o mais alto spread no BB - 35,73%, quase quatro vezes mais do que os 9,04% das pessoas jurídicas. Com o aperto na taxa básica de juro a partir de setembro, houve melhora na margem da intermediação do BB - o banco passou a ganhar não só com a expansão de volumes, mas também com os spreads. Os depósitos do BB cresceram de R$ 110 bilhões para R$ 115,5 bilhões entre 2003 e 2004. O destaque foram os depósitos em poupança, que avançaram 13,3%, atingindo R$ 31,1 bilhões. Esse é um passivo menos oneroso, que contribui para melhorar o desempenho do banco. O patrimônio líquido cresceu 15,9% no ano, chegando a R$ 14,1 bilhões. O Índice da Basiléia ficou em 15,2%, o que permite que o banco expanda suas operações de crédito em até R$ 50,344 bilhões sem se desenquadrar do índice mínimo de 11% determinado pelo órgão supervisor, o BC. As provisões saltaram de R$ 3,265 bilhões para R$ 4,521 bilhões. A alta se deve à expansão da carteira de crédito e a decisão do banco de colocar em prática desde já os parâmetros do Acordo da Basiléia II na avaliação de sua carteira de crédito.