Título: Na reta final, campanha nos EUA fica mais agressiva
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Fonte: Valor Econômico, 06/10/2008, Internacional, p. A17

A menos de um mês da eleição presidencial nos EUA, a disputa eleitoral se tornou mais agressiva. Acuada pela crise econômica e pela queda nas pesquisas, a campanha do candidato republicano, John McCain, começou a questionar com mais intensidade o patriotismo e o caráter de Barack Obama. O candidato democrata acusou ontem o adversário de estar mais preocupado em lançar uma "campanha suja" do que em ajustar a economia dos EUA.

A intensificação dos ataques republicanos a Obama começou no sábado, quando a candidata a vice de McCain, a governadora do Alasca, Sarah Palin, acusou Obama de se relacionar com terroristas, numa referência à relação do senador democrata com Bill Ayers, um militante extremista de esquerda nos anos 60, líder de um grupo envolvido numa série de atentados a bomba nos EUA.

Desconversando, Obama disse que conhece vagamente Ayers, hoje professor da Universidade de Illinois, em Chicago, onde o democrata iniciou sua carreira política.

Segundo Palin, a ligação de Obama com Ayers sugere que o democrata não vê os EUA como uma força do bem, um discurso maniqueísta de oposição entre o bem e o mal típico da direita religiosa dos EUA. "Esse é um homem [Obama] que não vê a América como você vê a América e como eu vejo a América", disse Palin num comício no sábado. Segundo ela, Obama vê os EUA como "tão imperfeitos" que se relaciona com pessoas que alvejaram a bomba seu próprio país.

Vários políticos republicanos insistiram ontem em atacar Obama pela relação com Ayers, sob o argumento de que é importante conhecer a capacidade de discernimento do candidato democrata.

Obama criticou a campanha de McCain e deve responder a partir de hoje com uma série de inserções na TV criticando o republicano, caracterizando-o como sendo "errático durante crises" e acusando-o de usar táticas sujas "desonrosas" na campanha eleitoral, com o objetivo de distrair os americanos da crise financeira no país.

"O senador McCain e sua campanha estão apostando que podem distrair vocês com sujeira, em vez de falar sobre conteúdo", disse Obama ontem, em comício na Carolina do Norte. "É isso que você faz quando está sem rumo, sem idéias e ficando sem tempo."

Segundo recentes pesquisas de intenção de voto, Obama abriu dianteira de 6 a 9 pontos percentuais sobre McCain. A vantagem aumentou com o agravamento da crise financeira nos EUA, o que sugere que a preocupação dos eleitores com a economia favorece Obama. McCain, apesar de tentar se distanciar do presidente George Bush, herda o fardo de representar um dos governos mais impopulares da história recente americana.

Além da vantagem na intenção de voto nacional, Obama também está superando McCain nos Estados indecisos, que devem decidir a eleição nos EUA. Segundo levantamento do jornal "The New York Times", o democrata tem garantido ou é favorito em Estados que somam 260 votos no Colégio Eleitoral que ao final elege o presidente. Faltariam a ele apenas dez votos nesse colégio, sendo que haveria ainda 78 votos em disputa, em seis Estados onde os candidatos estão tecnicamente empatados.

Com mais dinheiro, Obama vem fazendo campanha forte nesses Estados e em alguns onde há pequena vantagem republicana. Segundo o "New York Times", McCain já desistiu de tentar "roubar" Estados democratas e estaria concentrando sua campanha nos Estados republicanos e em alguns indecisos.