Título: Indústria perdeu faturamento em agosto
Autor: Galvão, Arnaldo
Fonte: Valor Econômico, 08/10/2008, Brasil, p. A3
O ritmo de crescimento da indústria teve uma acomodação em agosto e a utilização da capacidade instalada apresentou pequena elevação. De acordo com os economistas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o que ocorreu em agosto não significa reversão da nítida tendência de crescimento em relação a 2007, impulsionado pela forte demanda interna. Flávio Castelo Branco e Marcelo de Ávila afirmaram que, neste ano, serão pequenos os impactos do aumento dos juros e da deterioração financeira internacional.
Na perspectiva de 2009, Castelo Branco admitiu que a indústria deverá sofrer com as restrições de crédito e provável queda da demanda por produtos brasileiros no exterior, mas a nitidez desse cenário deve aparecer no início do ano que vem.
Com o crédito mais caro nas linhas captadas no exterior, o economista da CNI defendeu uma interrupção no aumento da taxa básica de juros (13,75% ao ano) e a reversão da tendência de aumento dos gastos correntes do governo. "O crédito é o óleo da engrenagem da economia e há sinais bastante claros de retração nos Estados Unidos e na Europa. O grande desafio para o Brasil é manter o crescimento preservando a demanda interna e o investimento. Sem maior poupança doméstica, será muito difícil substituir as linhas de financiamento internacionais", avalia.
Os indicadores industriais de agosto mostraram, na comparação com o mesmo mês de 2007, crescimento de apenas 0,8% no faturamento do setor e expansões nas horas trabalhadas (3%), no emprego (4%) e na massa salarial (3,6%). A utilização da capacidade instalada subiu de 83,4% (julho) para 83,5%.
A CNI também comparou o desempenho da indústria em agosto com o mês anterior, descontando os efeitos típicos de julho. Houve queda de 2,3% no faturamento e crescimento mínimo (0,1%) nas horas trabalhadas e no emprego. Para os economistas da entidade, agosto ficou com essa posição em relação a julho porque a base de comparação é alta e também ocorreu o efeito calendário, com dois dias úteis a menos.
Quando é considerado o período janeiro-agosto, os saltos com relação aos oito primeiros meses de 2007 são expressivos: 8,2% (faturamento), 5,7% (horas trabalhadas), 4,4% (emprego) e 5,1% (massa salarial). Com os resultados de agosto na indústria, as horas trabalhadas acumularam 12 meses seguidos de alta e o emprego chegou à marca de 33 meses consecutivos de expansão.
Segundo as previsões da CNI, o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter crescimento de 5,3% neste ano. Análises preliminares dos economistas da entidade mostram que, em 2009, a variação pode ser de 3,5%.
A análise setorial dos indicadores industriais revela que os três setores mais dinâmicos no período janeiro-agosto são veículos automotores, máquinas/equipamentos e outros equipamentos de transporte. Os três piores desempenhos ficaram com madeira, couro/calçados e vestuário.
O ritmo da indústria é forte em 2008 e a CNI também informa que são expressivos os carregamentos ("carry over") do faturamento (6,8%), das horas trabalhadas (4,8%) e do emprego (3,6%). Isso significa que, na pior das hipóteses, se não ocorrer crescimento no restante do ano, 2008 teria essas variações na indústria.
A ligeira alta da utilização da capacidade instalada deve ser considerada como uma situação de estabilidade, de acordo com Castelo Branco. Ele explicou que, de janeiro a agosto, a indústria teve forte crescimento na produção, revelado pela elevação de 5,7% nas horas trabalhadas. Nesse quadro, o que houve foi ampliação da capacidade da indústria.
A CNI mostrou que, na comparação com agosto de 2007, os três setores que mais aumentaram a o uso da capacidade instalada foram veículos automotores, edição/impressão e outros equipamentos de transporte. Mas eles tiveram elevação inferior a três pontos percentuais. Na média da indústria, o uso da capacidade aumentou 0,4 ponto percentual em relação a agosto do ano passado.