Título: Com nova deflação de alimentos, IPCA tem menor variação do ano
Autor: Lamucci, Sergio
Fonte: Valor Econômico, 09/10/2008, Brasil, p. A2
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou mais uma vez em setembro, registrando alta de 0,26%, a menor variação do ano, ligeiramente abaixo do 0,28% do mês anterior. A queda dos preços de alimentos foi de novo a grande responsável pela desaceleração do IPCA. As cotações desses produtos caíram 0,27%, aprofundando a deflação de 0,18% ocorrida em agosto. No entanto, as medidas de núcleo, que excluem os preços mais voláteis ou as maiores e as menores altas, mostraram uma inflação ainda pressionada, refletindo o aquecimento da atividade econômica. O indicador calculado pela exclusão de alimentos e preços administrados (como tarifas públicas) subiu de 0,5% em agosto para 0,63% em setembro.
No ano, o IPCA, que serve de referência para o regime de metas de inflação, acumula alta de 4,76%. Em 12 meses, a variação atinge 6,25%, acima dos 6,17% observados até agosto, na mesma base de comparação.
Entre as principais quedas, destacaram-se o tombo de 4,49% do leite pasteurizado, o de 17,24% da cebola, o de 14,54% do tomate e o de 13,76% da batata inglesa. Com o recuo dos preços de alimentos, a taxa acumulada em 12 meses caiu de 13,75% em agosto para 12,94% no mês passado.
Para a LCA Consultores, o período de deflação de alimentos parece estar "com os dias contados". Em relatório, a LCA avalia que os "resultados mais recentes do atacado registraram perda no ímpeto deflacionário em seus produtos agrícolas, o que possivelmente apresentará seus reflexos nos preços do varejo em outubro".
A consultoria prevê um IPCA de 0,35% neste mês, um número não muito superior ao 0,26% de setembro. Para o ano, a LCA acredita num IPCA de 6,3%, um pouco abaixo do teto da banda de tolerância da meta, de 6,5%. "A projeção para outubro supõe que a transmissão da queda dos preços agrícolas do atacado para o varejo pode ter chegado ao nível máximo em setembro", diz a consultoria, que também projeta uma taxa mais alta para os preços administrados em outubro - um aumento de 0,33%, acima do 0,17% de setembro.
Se os alimentos tiveram comportamento bastante benigno, o mesmo não se pode dizer do grupo de serviços (aluguel, condomínio, cabeleireiro e conserto de automóvel etc.), que subiu 0,55%, percentual quase idêntico ao 0,56% do mês anterior. Em 12 meses, a alta dos serviços subiu de 5,9% para 6,26%. Esse comportamento indica, segundo analistas, que a demanda tem sancionado aumentos razoavelmente elevados. Uma boa notícia, porém, é que o IPCA mostrou pressões inflacionárias menos generalizadas. O índice de difusão, que mostra o percentual de itens que tiveram alta, ficou em 60,9%, abaixo dos 63% registrados em agosto e dos 61,9% da média histórica.
Para a Rosenberg & Associados, "as variações de inflação concentradas em alimentos, principalmente "in natura", nunca devem ser vista como tendência para o cenário prospectivo. O que deve ser observado são os núcleos, com aceleração em relação a agosto, e os preços de serviços e administrados".
A consultoria lembra, porém, que "o exame da inflação no passado para prever o futuro deve levar em conta as alterações do cenário econômico mais abrangente, isto é, a desaceleração do ritmo de atividade". Para a Rosenberg, é possível que o dólar em alta pressione a inflação num primeiro momento. "Mas, no médio prazo, a atividade deprimida deve trazer a inflação de volta a níveis mais razoáveis."
Além do IPCA, dois outros indicadores divulgados ontem mostraram altas modestas da inflação. O Índice do Custo de Vida (ICV) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) subiu 0,14% em setembro, bem abaixo do 0,32% registrado em agosto. Além disso, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) avançou 0,16% na primeira leitura de outubro. No fim de setembro, o indicador registrou deflação de 0,09%. (Com agências noticiosas)