Título: Lula faz pressão para liberar recursos
Autor: Safatle, Claudia
Fonte: Valor Econômico, 23/10/2008, Finanças, p. C3

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que conversasse com os dirigentes dos maiores bancos do país para persuadi-los a desempoçar a liquidez, que continua concentrada nas mãos de poucas instituições mesmo depois da farta liberação de compulsórios. Mantega reuniu-se, na sexta feira passada, com os presidentes do Bradesco, Márcio Cypriano, da Federação Brasileira de Bancos, Fábio Barbosa, e do Itaú, Roberto Setúbal, para se inteirar das razões pelas quais os bancos não estão transformando em crédito os recursos do compulsório.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, explicou que a intenção do governo, nessas conversas, é mostrar aos bancos que eles têm uma agenda de reivindicações junto ao governo e que este terá mais ou menos interesse em atender o sistema se este cooperar, nesse momento de grave crise financeira internacional, com todos os seus efeitos sobre o país. E deixar claro que se os bancos privados se retraírem agora, o governo terá que lançar mão dos bancos públicos para prover a economia de crédito. A MP 443, editada ontem, inclusive, vai nessa direção.

O governo está avaliando, por exemplo, a possibilidade de atuar numa causa muito cara aos bancos, relativa ao pagamento de eventuais perdas de correção monetária sobre as cadernetas de poupança existentes nos meses de janeiro e fevereiro de 1989, quando da edição do Plano Verão.

O tamanho do passivo estimado pelo setor, caso todos os correntistas que tinham depósitos em caderneta de poupança nos dois primeiros meses de 89, quando o plano de estabilização trocou o indexador da economia (que era o Índice de Preços ao Consumidor - IPC - e foi mudado para as Letras Financeiras do Tesouro, LFT), é estimado em centenas de milhões de reais. Há cálculos que apontam uma conta de até R$ 120 bilhões para os diversos planos econômicos anteriores ao Real nos quais houve subtração da correção monetária. O ministro do Planejamento não citou uma ou outra causa em que o governo poderá ter boa vontade para com os bancos ou não.