Título: Petrobras registra lucro recorde
Autor: Schüffner , Cláudia
Fonte: Valor Econômico, 12/11/2008, Brasil, p. A5
A Petrobras confirmou o que o mercado já esperava e anunciou ontem lucro líquido recorde de R$ 10,852 bilhões no terceiro trimestre de 2008, elevando para R$ 26,56 bilhões o lucro acumulado nos nove primeiros meses do ano. A receita líquida operacional líquida no trimestre ficou em R$ 67,460 bilhões e o lucro antes dos impostos, juros e amortizações (Lajida) fechou o período em R$ 47,686 bilhões. Leo Pinheiro / Valor
Almir Barbassa, diretor financeiro e de relações com investidores: câmbio também teve impacto sobre endividamento
O resultado recorde foi atribuído a um conjunto de fatores: aumento de 5% na produção nacional de petróleo e 22% na produção de gás no terceiro trimestre; volume recorde de vendas tanto de petróleo como de derivados; elevação dos preços da gasolina e do diesel (desde maio) e ganho devido à depreciação do real sobre ativos líquidos expostos à variação cambial.
A Petrobras registrou forte elevação das vendas de derivados, com destaque para o diesel e o querosene de aviação, o que aumentou a necessidade de importações. Com isso, a balança de petróleo e derivados da companhia registrou déficit de US$ 1,8 bilhão nos nove meses do ano, ante um resultado positivo de aproximadamente US$ 100 milhões no mesmo período de 2007.
O diretor financeiro e de relações com investidores da Petrobras, Almir Barbassa, admitiu que a companhia sofreu o impacto da crise, mas disse que o efeito sobre os investimentos recai mais sobre os fornecedores de bens e serviços do que propriamente sobre a empresa, que agora espera deflação de custos. "O mercado financeiro não funciona, ele inexiste. É só olhar o mundo. E se isso está assim para grandes empresas, na cadeia de fornecedores temos pequenas empresas que estão em dificuldades. A situação deve se resolver porque senão será um problema para o futuro", disse o diretor.
Segundo Barbassa, a Petrobras vai continuar com foco na produção de petróleo, mas buscando valorizar o portfólio de projetos que permitam produção mais rápida de modo a otimizar o caixa. Repetindo o que vem sendo dito enfaticamente pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, o diretor financeiro disse que os investimentos no pré-sal não serão postergados. Ele lembrou que eles serão realizados depois que a crise passar e que estão mantidos tanto os testes de longa duração de mais dois campos além de Tupi - que podem ser Guará e Iara, o que a Petrobras não confirma.
Sobre o futuro próximo da companhia e os efeitos da queda do preço do petróleo, Barbassa observou que apesar de o preço em dólares cair, a companhia não tem uma perda tão grande em reais. Segundo ele as vendas de combustíveis no Brasil, notadamente diesel, continuaram fortes em outubro devido à preparação da safra.
A Petrobras espera fechar 2008 com investimentos de R$ 50 bilhões, equivalentes a US$ 30 bilhões, o que é 10% a mais do que o realizado em 2007. Um efeito positivo da crise, segundo ele, é que haverá renegociação de preços.
A Petrobras já começou um programa de redução de despesas que inclui a revisão de procedimentos e processos que levem a uma maior economia de recursos. Entre as despesas revistas, segundo Barbassa, estão as publicações internas, a orientação para substituir viagens por videoconferências e o foco na produção de diesel, que tem maior valor adicionado. Quanto aos preços do petróleo, Barbassa disse que espera o barril entre US$ 60 e US$ 80 no curto prazo.
À espera da divulgação do resultado da empresa, a ação ordinária (ON, com direito a voto) da Petrobras fechou ontem em queda da 1,84%, enquanto a preferencial (PN, sem voto) caiu 0,16%.