Título: Pesquisa mostra alta do pessimismo
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 25/11/2008, Brasil, p. A3

Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas e do Instituto Alemão (Ifo) avalia que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil pode crescer, em média, entre 3,5% e 3,9% ao ano, no médio prazo. A informação consta da Sondagem Econômica da América Latina, que divulgou ontem o Índice de Clima Econômico (ICE) da região, referente a outubro. De acordo com a pesquisa, o Brasil está entre os principais países emergentes com possibilidade de a economia avançar acima da média dos últimos três anos.

Embora a previsão de crescimento médio para China (7,6% ao ano), Índia (7,1% ao ano) e Rússia (5,1% ao ano) sejam altas, são inferiores aos anos anteriores, assim como as previsões de crescimento para União Européia (1,5%) e Estados Unidos (1,5%). "Se não houver restrição de crédito, é de esperar que a economia brasileira tenha um crescimento, não espetacular como o da Índia e o da China, mas razoável, de 3,9%", disse a economista da FGV Lia Valls. Ela atribui a expectativa às descobertas de petróleo, à estabilidade macroeconômica e aos investimentos em infra-estrutura.

A economista não descartou, no entanto, os efeitos da crise financeira mundial sobre o país. Lembrou que a pesquisa foi feita em outubro, quando ainda não era possível apontar com clareza os efeitos do problema sobre a economia brasileira. Para ela, na próxima pesquisa, em janeiro, os efeitos estarão mais consolidados.

Já o Índice de Clima Econômico na América Latina se igualou ao mesmo de nível mundial, em outubro. Com a queda de 4,1 pontos em julho para 3,4 pontos no mês passado, o índice mundial atingiu o valor mais baixo nos últimos 11 anos. Antes, o desempenho da América Latina na pesquisa estava sempre acima da média mundial, desde outubro de 2007. O ICE acompanha o desempenho das economias no mundo e suas expectativas. O indicador é considerado satisfatório quando está acima de 5 pontos. Para chegar ao resultado, especialistas são consultados por meio de questionários, atribuindo notas aos indicadores de seus países.

Houve queda dos dois indicadores que compõem o ICE global. O Índice de Situação Atual (ISA) saiu de 4,7 pontos para 3,7 pontos e o Índice de Expectativas ficou em 3 pontos, após marcar 3,5 pontos, em julho. Entre os países pesquisados, o ICE mais baixo é o do Reino Unido (2), seguido do Japão (2,2). A União Européia e os Estados Unidos tiveram a mesma marca: 3,1 pontos. Todos os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) têm ICEs superiores ao das economias desenvolvidas.