Título: Petrobras manterá investimentos em 20 destilarias
Autor: Moreira, Ivana
Fonte: Valor Econômico, 25/11/2008, Agronegócios, p. B11

A Petrobras Biocombustíveis manterá a decisão de investir, como sócia minoritária, em 20 usinas de álcool no país. Segundo o presidente da subsidiária da Petrobras, Alan Kardec Pinto, a exportação de etanol continua sendo uma grande oportunidade de negócio para o país. "Os atores internacionais têm pressa, têm necessidade", afirmou o executivo.

De acordo com o modelo de negócio idealizado pela Petrobras Biocombustíveis, as 20 usinas terão três sócios: um produtor nacional como majoritário e dois investidores minoritários. Ou seja, a Petrobras e um parceiro estrangeiro que se comprometam com a compra da produção.

A primeira dessas usinas, com capacidade de produção de 200 milhões de litros por ano e investimento de US$ 227 milhões, será construída em Itarumã, em Goiás. O parceiro estrangeiro é o grupo japonês Mitsui, que assumiu o compromisso de compra da produção por 20 anos.

"Vamos fechar a maior parte dos contratos em 2009", informou ontem o presidente da subsidiária de biocombustíveis, que esteve reunido com empresários do setor em Belo Horizonte. De acordo com ele, a meta do Brasil é exportar, em 2012, 4,75 bilhões de litros de etanol.

O executivo garantiu que a crise financeira internacional ou a queda do preço do dólar não fez diminuir o interesse por parte dos parceiros estrangeiros. Ele alegou contratos de confidencialidade para não revelar os nomes dos investidores envolvidos nas negociações para construção de novas usinas, mas garantiu que o projeto continua caminhando em ritmo acelerado.

Alan Kardec Pinto argumentou que o etanol continuará competitivo mesmo que a cotação do barril de petróleo desça a US$ 40. Mas ressaltou que o interesse dos grupos estrangeiros pelo álcool brasileiro não é uma questão econômica e sim ambiental. Países signatários do Protocolo de Kyoto têm prazos definidos para a adição de biocombustíveis à matriz energética. "O fato motivador não é o preço do barril de petróleo, é uma questão ambiental."

A Petrobras Biocombustíveis ainda não revelou quanto está disposta a investir para a construção das 20 usinas. De acordo com o executivo, o valor será redefinido em dezembro, quando a Petrobras vai reanalisar seu plano estratégico para 2009. Um dos pleitos da subsidiária é poder comprar participação em usinas e não apenas investir na construção de usinas novas. "Essa é uma possibilidade que será analisada", afirmou ele.

O presidente da Petrobras Biocombustíveis também informou ontem que serão mantidos os investimentos na construção do alcooduto, a partir de Goiás em direção a São Paulo, cortando o Triângulo Mineiro, com conexões a dois portos da Petrobras, um no Estado de São Paulo e outro no Rio de Janeiro. Segundo ele, o duto é estratégico já que o objetivo dos investimentos em novas usinas é a exportação.

O valor do investimento no alcooduto também será reavaliado em dezembro, durante a revisão do plano estratégico da Petrobras. A expectativa é de que o primeiro trecho, ligando o Triângulo Mineiro a São Paulo, esteja construído até 2011. A meta é concluir todo o projeto até 2012.