Título: Em Curitiba, Camargo Correa está no topo da lista
Autor: Lima, Marli
Fonte: Valor Econômico, 01/12/2008, Política, p. A6

A Camargo Corrêa - que toca a principal obra viária de Curitiba, batizada de Linha Verde - e a Construtora Triunfo foram as maiores doadoras da campanha do prefeito reeleito da capital paranaense, Beto Richa, do PSDB. Cada uma delas recheou o caixa do tucano com R$ 300 mil. Ao todo Richa gastou R$ 6,9 milhões e conquistou 77% dos votos válidos no primeiro turno das eleições. A petista Gleisi Hoffmann, segunda colocada no pleito, gastou R$ 6,46 milhões e também teve a Camargo Corrêa como principal empresa doadora da campanha, com R$ 500 mil.

Na prestação de contas, Richa informa que gastou apenas R$ 1,5 mil em recursos próprios, valor inferior ao investido por alguns de seus secretários municipais, como José Richa Filho (R$ 5 mil), seu irmão, que ocupa a Pasta de Administração, José Antonio Andregueto (R$ 5 mil), do Meio Ambiente, Deonilson Roldo (R$ 3 mil), da Comunicação Social, e Paulo Afonso Schmidt (R$ 3 mil), da área de transportes. Richa recebeu doações de R$ 777 mil de pessoas físicas e R$ 4,5 milhões de jurídicas. Gleisi não colocou dinheiro próprio e recebeu R$ 283 mil de pessoas físicas e R$ 2,9 milhões de jurídicas.

O tucano contou com R$ 406 mil do comitê do partido e declarou ter obtido R$ 1 milhão com a realização de eventos, como jantar que teve convites vendidos por R$ 1 mil cada e contou com a presença dos governadores José Serra e Aécio Neves. Na contabilidade, ele apresentou sobras de R$ 8,4 mil. O volume arrecado por Richa em 2008 superou em R$ 2,7 milhões o de 2004, quando declarou receitas de R$ 4,2 milhões e despesas de R$ 3,8 milhões. Naquele ano, o grupo Camargo Corrêa foi o que mais investiu na campanha em Curitiba - o nome de suas empresas apareceu na relação de três candidatos, sendo R$ 300 mil destinados a Richa. Em 2008, além da construtora, o grupo doou R$ 285 mil a Richa por meio da controlada Geral do Comércio Trading, o que elevou a contribuição para R$ 585 mil.

A petista mostrou na prestação de contas que recebeu R$ 402 mil do comitê financeiro e R$ 2,38 milhões do PT, além de R$ 479 mil obtidos com jantar que teve a presença da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. No fim, ela teve sobras de R$ 53 mil. Entre seus maiores financiadores estão também as empresas Bracol Holding (R$ 250 mil), Construtora OAS (R$ 250 mil), UTC Engenharia (R$ 250 mil), Pólis Propaganda (R$ 200 mil), Vega Engenharia Ambiental (R$ 200 mil), WTorre Engenharia (R$ 200 mil), o apresentador de TV Carlos Roberto Massa (R$ 150 mil) e Ambev (R$ 150 mil).

Na lista do tucano aparecem outras doações de empresas que mantêm relacionamento comercial com a prefeitura, como a Piemonte Construções (R$ 200 mil), empresa de loteamentos, a Redram Construtora (R$ 120 mil), que toca outro trecho da Linha Verde, e a Risotolândia (R$ 30 mil), que serve merenda escolar. Outros grandes doadores foram a fabricante de óleos Imcopa (R$ 180 mil), Supermax BR Importadora (160 mil) e Centauro Vida e Previdência (R$ 150 mil). Os bancos Itaú e Unibanco contribuíram com R$ 100 mil cada, embora a folha de pagamento tenha sido comprada pelo Santander no ano passado. O Itaú doou também R$ 50 mil para Gleisi, mesmo valor que saiu do caixa da Sadia. A construtora Mendes Júnior desembolsou R$ 100 mil tanto para Richa como para Gleisi.

A candidata do PT disse que a prestação de contas do adversário "está subestimada". Para o coordenador financeiro da campanha de Richa, Fernando Ghignone, trata-se de "uma acusação leviana".