Título: Déficit no mercado de câmbio chega a US$ 7,159 bi, o maior desde 1999
Autor: Ribeiro, Alex
Fonte: Valor Econômico, 04/12/2008, Finanças, p. C2
O mercado de câmbio registrou déficit de US$ 7,159 bilhões em novembro, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central. É o pior resultado desde o déficit de US$ 8,587 bilhões registrado em janeiro de 1999, mês em que o real sofreu uma maxidesvalorização e foi adotado o regime de câmbio flutuante.
O número é particularmente negativo porque se deve a saídas líquidas mais fortes na última semana de novembro. Até o dia 21, o déficit do mercado de câmbio somava US$ 2,533 bilhões e, com a perda líquidas de divisas de US$ 4,626 bilhões na última semana de novembro, subiu para US$ 7,159 bilhões.
Os bancos cobriram a maior parte do déficit do mercado de cambio, desovando US$ 7,159 bilhões que mantinham em carteira. Com isso, o conjunto de posições compradas em moeda estrangeira das instituições financeiras foi reduzido de US$ 7,077 bilhões para US$ 2,530 bilhões entre outubro e novembro.
O BC forneceu quantia estimada em US$ 2,613 bilhões ao mercado de câmbio, por meio de seus leilões de venda de moeda estrangeira à vista.
O déficit de US$ 7,159 bilhões em novembro se divide em duas grandes partes. O chamado segmento financeiro apresentou um resultado negativo de US$ 10,298 bilhões, dos quais 53% acumulados na última semana do mês. A outra parte do déficit é o resultado do comércio exterior, que foi superavitário em US$ 3,139 bilhões.
No segmento financeiro, são registrados os movimentos de capital, como ingressos e saídas de investimentos e empréstimos, e os serviços e rendas, incluindo remessas de lucros, juros da dívida e turismo. Em outubro, havia sido registrado um déficit de US$ 4,186 bilhões no segmento financeiro. Em análise distribuída ontem a clientes, a consultoria LCA nota que o período outubro e novembro é o segundo pior bimestre na série estatística divulgada pelo BC, que começa em 1982. O déficit só fica atrás do bimestre dezembro de 2006 e janeiro de 2007, no qual saíram US$ 16,5 bilhões do país, puxados pelo pagamento da compra da mineradora canadense Inco pela Vale do Rio Doce.
No segmento comercial, as exportações contratadas somaram US$ 13,492 bilhões, e as importações, US$ 10,353 bilhões. Os dados do BC mostram recuperação nos financiamentos ao comércio exterior. A média diária de contratações de operações de Antecipação de Contratos de Câmbio (ACCs) chegou a US$ 235 milhões na última semana de novembro, bem acima do pico da crise, no início de outubro, quando chegou a US$ 106 milhões. Mas ainda abaixo dos valores anteriores da crise, quando a média diária de contratação de ACCs chegava a valores entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões.