Título: GM e Ford voltam a bater às portas do Congresso
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Fonte: Valor Econômico, 03/12/2008, Empresas, p. B8
A General Motors e a Ford apresentaram ontem planos para sua recuperação ao Congresso americano que sugerem que a GM está em condição muito pior do que sua concorrente. Como parte de uma renovada tentativa de obter respaldo para um socorro governamental, a GM solicitou um total de US$ 18 bilhões em empréstimos federais - US$ 6 bilhões a mais do que havia dito necessitar algumas semanas atrás - e acrescentou necessitar uma injeção imediata de US$ 4 bilhões para evitar um colapso até o fim do ano.
A urgência do pedido da GM reavivou preocupações de que a companhia poderá ter de pedir concordata. Representantes sindicais do United Auto Workers disseram em uma reunião ontem que a GM poderá ser obrigada a pedir concordata antes do Natal se a fabricante automobilística não conseguir dinheiro do governo nos próximos dias, disseram fontes bem informadas sobre a questão.
Numa entrevista coletiva por telefone, o presidente da GM, Frederick "Fritz" Henderson, disse que a companhia não está considerando uma concordata como uma opção, e está se concentrando exclusivamente em obter ajuda de Washington. "Não existe um Plano B", disse ele.
Detalhes sobre os pedidos de ajuda pela General Motors e Ford surgiram em meio a outro lote de más notícias sobre o setor automobilístico, pois as vendas de veículos novos pelos fabricantes americanos caiu cerca de 35% em novembro, em comparação com o ano anterior.
Um analista da Ford estimou que a taxa anualizada de venda de veículos, ajustada pela sazonalidade, foi de 10,5 milhões de veículos. Isso representaria uma queda em relação ao nível de 10,8 milhões em outubro, e bem abaixo dos 16 milhões que o setor considera saudável.
As vendas de veículos fabricados pela GM caíram 41%, para 154.877 automóveis e picapes. No caso da Ford, os números caíram 30,6%, para 123.222, ao passo que a Toyota e a Honda disseram que suas vendas totais caíram 34% e 31.6%, respectivamente, para 130.307 veículos e 76.233.
A Chrysler, que está buscando obter empréstimos federais juntamente com a GM e a Ford, ainda não reportou suas vendas nem divulgou detalhes do plano de recuperação que está apresentando ao Congresso.
No mês passado, as três grandes montadoras de Detroit apelaram ao Congresso por US$ 25 bilhões em empréstimos a baixo custo para ajudá-las a suportar o desaquecimento econômico na economia americana, que agora tornou-se oficialmente uma recessão, e um dos piores declínios de vendas de veículos em décadas.
Mas os legisladores não ficaram convencidos de que os três grandes fabricantes automobilísticos têm planos claros para uma volta à lucratividade e disseram a eles que retornassem até 2 de dezembro com mais detalhes sobre como utilizariam o dinheiro dos contribuintes e como se reestruturariam para "tornarem-se viáveis".
Em sua apresentação de 33 páginas, a Ford disse que não necessita imediatamente de recursos federais, mas pediu que uma linha de crédito de US$ 9 bilhões seja disponibilizada, para o caso de a recessão ser mais prolongada e profunda do que o esperado. A Ford estimou que sairá do vermelho em 2011, e acrescentou que vai acelerar o desenvolvimento de novos veículos híbridos e movidos a eletricidade suprida por baterias, reduzir o número de revendedores e modificar suas fábricas nos Estados Unidos para produzir carros pequenos que possam ser vendidos lucrativamente.
Os modelos de tecnologia avançada incluirão um furgão comercial com bateria planejado para 2010, um sedã também com bateria para 2011 e um híbrido para 2012.
Em entrevista por telefone enquanto dirigia um híbrido, o Ford Escape, a caminho de Washington, o executivo-chefe da Ford , Alan Mulally , insinuou que o sindicato United Auto Workers poderá ter de fazer concessões para ajudar as companhias a se recuperarem e convencer o Congresso a aprovar a ajuda. "Todos os componentes" do atual contrato de trabalho com o UAW precisam ser reexaminados para manter a indústria automobilística americana competitiva", disse ele.
A Ford está em melhor forma do que a GM em grande parte porque hipotecou quase todos os seus ativos em 2006, numa iniciativa que captou US$ 18 bilhões muito antes do aperto nos mercados de crédito. Por essa razão, a Ford tem um amortecedor financeiro mais resistente do que a GM.
Em depoimento perante o Congresso no mês passado, o executivo-chefe da GM, Rick Wagoner, disse que a companhia poderá ficar sem dinheiro até o presidente eleito Barack Obama assumir a presidência em janeiro, caso não obtenha empréstimos federais. na ocasião. Ele disse que a GM necessitava de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões. Na coletiva por telefone ontem, Henderson disse que a GM busca US$ 12 bilhões em empréstimos e uma linha adicional de crédito de US$ 6 bilhões. Em contrapartida, daria aos contribuintes certificados de ações da companhia, uma posição de prioridade no elenco de credores da companhia e a promessa de devolver o dinheiro em torno de 2012, quando as operações na América do Norte podem voltar ao equilíbrio.
A montadora pretende começar as discussões com detentores de bônus e o grupo sindical United Auto Workers (UAW) nesta semana para tentar reduzir seu endividamento pela metade, o que significa cortá-lo em US$ 30 bilhões. Essa iniciativa incluirá uma oferta para os investidores trocarem títulos de dívidas por participação societária na GM e uma reestruturação das obrigações com o fundo de assistência médica da UAW.
Para dinamizar suas operações, a GM informou ao Congresso que cogita vender sua unidade Saab e cortar a linha de veículos, atualmente, em cerca de 60 modelos, para 40. Também estuda vender ou fundir sua marca Saturn.
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