Título: Brasil fecha US$ 31 milhões em negócios
Autor: Mauro Zanatta De Nuremberg (Alemanha)
Fonte: Valor Econômico, 28/02/2005, Agronegócios, p. B9
O Brasil aumentou sua participação na Biofach, a maior feira de produtos orgânicos do mundo. Na edição deste ano, realizada em Nuremberg, na Alemanha, foram fechados US$ 31,4 milhões em negócios com produtos brasileiros. De soja a açúcar, de confecções a carne bovina, passando por pescados, café, frutas, flores e hortaliças, as 87 empresas brasileiras produtoras de orgânicos dobraram as vendas registradas no ano passado, segundo dados preliminares divulgados ontem pela Agência de Promoção das Exportações do Brasil (Apex). Com status de "País do ano", o Brasil atraiu mais a atenção de compradores e importadores. Foram feitos 1,1 mil contatos comerciais durante 82 reuniões e 59 encontros nas rodadas de negócios promovidas pela organização da feira. Apesar da concorrência de outros cinco países, o Brasil ganhou o direito a montar seu estande num local privilegiado em meio aos 3.035 expositores e 33,5 mil m² de pavilhões da Messe Nürnberg. As degustações de comidas e bebidas típicas, comandadas pela chef carioca Flávia Quaresma, atraíram cerca de 2 mil pessoas aos estandes nacionais, segundo a Câmara de Comércio Brasil-Alemanha. A tradicional festa BioNight, organizada pelo Brasil neste ano, reuniu mais de 1,8 mil pessoas, entre compradores e formadores de opinião locais. O jantar incluiu shows de mulatas, capoeira e de Armandinho e Yamandú Costa. Entusiasmado com os resultados práticos da feira, Leontino Balbo, dono da Usina São Francisco, de Sertãozinho (SP), contabilizava contatos com representantes comerciais de 36 países. "Trabalhamos sem parar. Estou cansado, mas valeu muito a pena ter vindo", resumiu. A empresa, que detém 35% do mercado mundial de açúcar orgânico, usou a feira para buscar a aproximação com seus atuais compradores e para avançar em mercados altamente competitivos. Balbo estima que os negócios gerados na feira devam elevar as vendas de açúcar orgânico de 24 para 28 mil toneladas neste ano. O produto é vendido com um preço adicional entre 40% e 60% superior ao açúcar convencional. Outro empresário animado com os contatos e as possibilidades abertas na feira era Alexandre Wainberg, dono da Prima Aqüicultura Sustentável. Produtor de camarão orgânico em Tibau do Sul (RN), ele disse ter trocado cartões de visita com pelo menos 50 potenciais compradores. "Toda a nossa produção está vendida para o mercado interno. Mas aqui é o lugar para prospectar bons negócios e entender a cabeça do consumidor europeu", disse. (MZ)