Título: PIB dos EUA corre o risco de cair 6% no quarto trimestre
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Fonte: Valor Econômico, 26/12/2008, Internacional, p. A5

Economistas americanos estão revendo para baixo suas projeções para a economia dos EUA no quarto trimestre. Com a piora de vários indicadores, alguns já esperam contração de cerca de 6%. Dados de emprego, consumo e vendas de casa continuam a piorar no país.

"Os dados de outubro, novembro e dezembro que temos recebidos até agora sugerem que o quarto trimestre terá um resultado extremamente fraco, com contração de 6% ou mais", disse Steven Wood, analista da Insight Economics.

"Toda informação que chega aponta para um resultado muito pior no quarto trimestre", disse Nigel Gault, economista-chefe para EUA na IHS Global Insight. Gault também estima que a economia dos EUA vá encolher cerca de 6% nos três últimos meses de 2008.

A expectativa é que a falta de crédito, o declínio nos preços das moradias e os cortes nos gastos dos consumidores e das empresas levem a esse recuo mais acentuado no quarto trimestre.

Os EUA estão em recessão desde dezembro de 2007, segundo a medição oficialmente aceita no país, que é determinada por uma entidade de pesquisa econômica, o NBER. Essa datação não leva em consideração a definição mais comum de recessão, que é de dois trimestres seguidos de contração da economia.

Na terça, o governo manteve em 0,5% anualizado a queda do PIB no terceiro trimestre. Esse relatório, o terceiro sobre o PIB, apontou o dado final. O inicial indicava contração menor, de 0,1%.

Segundo esse relatório, os lucros, inclusive as estimativas do valor dos estoques e correções dos investimentos de capital, caíram 1,2% no terceiro trimestre, em relação aos três meses anteriores, no sétimo declínio dos últimos oito trimestres. Em relação ao terceiro trimestre de 2007, os lucros caíram 9,2%, na maior queda desde 2001.

Os gastos do consumidor, que representam mais de dois terços da economia dos EUA, tiveram um declínio anual de 3,8%, superando o recuo de 3,7% estimado pelo governo no mês passado. Foi o primeiro declínio desde 1991 e o maior desde 1980.

As vendas de casas novas cederam 2,9% em novembro, ficando em uma taxa anual ajustada sazonalmente de 407 mil unidades, perante a leitura de 419 mil (dado revisto) de outubro, segundo a associação de corretoras imobiliárias do país. As vendas de casas usadas caiu mais, 8,6%. A construção de residências despencou 16%. O número de casas com obras iniciadas e a emissão de alvarás para a construção de moradias caíram aos níveis históricos mais baixos em novembro, segundo o Departamento do Comércio. Já a mediana dos preços das casas vendidas caiu 13% de outubro para novembro.

A média de quatro semanas de novos pedidos de seguro-desemprego subiu para 558 mil, o maior número desde 1982, o que sugere que as empresas, especialmente as ligadas ao setor automobilístico, continuam demitindo.