Título: Preocupado com disputa no Senado, Temer busca garantir apoio do PT
Autor: Lyra , Paulo de Tarso
Fonte: Valor Econômico, 15/01/2009, Política, p. A6
O candidato do PMDB a presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP), correu, nos dois últimos dias, em busca de garantias, inclusive junto ao presidente da República, de que o PT, seu principal fiador na disputa pelo comando da Casa em fevereiro, não vai trair o acordo político caso Tião Viana (PT-AC) não seja eleito presidente do Senado. Ricardo Marques/Folha Imagem - 5/1/2009
Temer: candidato do PMDB vai ao presidente Lula pedir que petistas separem as disputas do Senado e da Câmara
Na noite de terça-feira, Temer encontrou-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto. Acompanhado do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, avisou a Lula que os deputados com quem tem conversado vêm traçando uma clara separação entre as disputas do Senado e da Câmara.
O recado tem o PT como alvo claro. Na segunda-feira, o ex-ministro José Dirceu, em seu blog na internet, pregou que o partido não vote em Temer caso os pemedebistas do Senado não apóiem a eleição de Tião Viana. Preocupado, Temer mostrou ao presidente que tem um petista - Marco Maia (RS) como candidato a vice em sua chapa, que conta ainda com outro petista, Odair Cunha (MG), indicado para uma das secretarias.
Na opinião do pemedebista, o PT também precisa fazer essa diferenciação. Ficou bem mais tranqüilo ao ouvir do presidente que a eleição dele para a principal cadeira da Câmara é o melhor cenário para o governo. Lula repetiu ao pemedebista o que tem dito com freqüência: o resultado ideal no dia 2 de fevereiro é uma dobradinha Temer e Tião Viana. E prometeu que vai conversar com o PT para evitar que os deputados, independentemente do cenário que se desenhar, descumpram o acordo fechado em 2007. O presidente já convocou uma reunião com a bancada do PT na Câmara, para o dia 29, com o objetivo de discutir a eleição na Casa.
Animado com as palavras de Lula, Temer ligou na manhã de ontem para o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). Em entrevista ao site do PT, Berzoini alertou que "votar em Tião Viana para a presidência do Senado é uma questão de bom senso". Para o pemedebista, reiterou que não há razões para movimentos de rebeldia dos deputados petistas, desprezando a dobradinha que permitiu a vitória de Arlindo Chinaglia (PT-SP) em 2007.
Precavido, Temer telefonou também para o senador José Sarney (PMDB-AP). A entrada dele na disputa do Senado é apontada como um dos maiores riscos para a vitória de Temer na Câmara. O deputado confirmou ao presidente Lula que indagara se Sarney seria ou não candidato. Como todos os demais interlocutores, recebeu a mesma resposta negativa. "Até fevereiro, as intrigas só vão aumentar", disse.
Mais uma vez, ontem, o tão esperado encontro entre Lula e Sarney foi adiado. Um ministro que acompanha o impasse acha que a novela está longe do seu término, mas admite que, quanto mais o tempo passa, mais difícil se tornam as mudanças. Lembra que em todas as conversas anteriores de Lula e Sarney, o pemedebista foi categórico em dizer que não era candidato. Mais: na última delas, Lula insistiu: "Mas se o partido quiser, insistir, o que você fará?". Sarney teria respondido que, ainda assim, não existia a possibilidade de aceitar.
"As coisas podem mudar, já que tudo, por enquanto, é uma nuvem", disse um auxiliar do presidente. Sarney vem sendo pressionado pelos seus familiares e pelos senadores da legenda. Mas Tião Viana também reiterou que é candidato e não há brecha, acredita um ministro, para Lula pedir que ele desista. "Lá atrás, se Sarney tivesse dito que era candidato, o PT poderia ter recuado. Mas agora a candidatura do Tião já foi longe demais", assegurou um interlocutor palaciano.
O PT reforçou ontem a cobrança ao PMDB por apoio no Senado e reiterou que cumprirá o acordo na Câmara Federal de apoiar a candidatura de Michel Temer.
Em nota, Berzoini disse que a bancada "já fechou questão" e manteve o acordo entre os dois partidos firmado em 2007, para eleger Arlindo Chinaglia (PT). Deputados da bancada petista reforçam que não vão descumprir o que foi combinado há dois anos. "O acordo não foi feito com o Senado e sim com a Câmara. A bancada já decidiu que cumprirá e voltar atrás faria com que nós perdêssemos força política e credibilidade", disse o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP). "O que acontece no Senado não pode alterar esse acordo", afirmou.