Título: Investimento global cai 21% em 2008
Autor: Moreira , Assis
Fonte: Valor Econômico, 20/01/2009, Internacional, p. A9

O fluxo global de investimentos estrangeiro direto (IED) caiu 21% em 2008, ficando em US$ 1,4 trilhão, e deverá declinar ainda mais este ano, conforme estimativa preliminar da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

Depois de fluxo recorde de US$ 1,8 trilhão em 2007, o ano de 2008 marcou o fim do ciclo de crescimento do IED, com a recessão, aperto de crédito, queda nos lucros e incertezas generalizadas no mercado levando mais companhias a rever planos, cortar produção e demitir funcionários.

Os países desenvolvidos foram os mais atingidos, com queda de 33% na entrada de investimentos estrangeiros diretos, mas a queda em 2009 será mais disseminada entre economias emergentes.

Em 2008, a queda nos ganhos de multinacionais de países desenvolvidos e menor acesso a empréstimos bancário freou o ritmo de aquisições e fusões, que caiu 33%.

Até agora, o fluxo de IED para países em desenvolvimento resistiu, e cresceu 4% no ano passado. Na América Latina e Caribe, o fluxo aumentou 13%, principalmente graças a resultados do Brasil. Para este ano, a expectativa é de forte declínio no fluxo de investimentos para países como Coréia do Sul, Indonésia, Paquistão, Cingapura e Turquia, por causa das conseqüências da crise financeira.

Entre as indústrias, foram mais afetados os fluxo de IED para os setores financeiro, automotivo, construção, bens intermediários e alguns produtos de consumo. Mas as conseqüências da crise estão se expandindo rapidamente para outras atividades.

A onda de desinvestimentos e reestruturação de operações está crescendo. No setor financeiro, continua a venda de subsidiárias no exterior. Mas também suspensão de negócio, com a Ping An Insurance, da China abandonando uma compra de parte da belga Fortis por 2,2 bilhões de euros. Centros financeiros também atraem menos capital. O fluxo de IED para a Holanda caiu mais de 70%.

No mineração, a Rio Tinto (da Austrália e Reino Unido) e Anglo-American (Reino Unido) vão rever planos de expansão. A British Petroleum anunciou corte de 5 mil empregos para este ano. A suíça Xstrata cancelou a compra da Lonmim (EUA) por US$ 4,10 bilhões.

Na indústria automotiva, os construtores americanos continuam sob ameaça de falência. O fechamento temporário de fábricas se expande pelas regiões. Na indústria aeronáutica, o cancelamento de encomendas aumentou.

A GlaxoSmithKline (Reino Unido), segundo maior laboratório mundial, está cortando operações nos EUA. O produtor francês de cosméticos L"Oreal fechará duas fábricas na Europa.

No setor siderúrgico, a ArcelorMittal (Luxemburgo) vai adiar projeto de US$ 20 bilhões na Índia. Produtores no Reino Unido, Rússia e Japão cortaram a produção.

As projeções são, porém, menos pessimistas para economias emergentes, que continuarão a crescer e que oferecem possibilidade de lucros. A Pepsi Cola investirá US$ 1 bilhão em expansão na China. A Fiat vai produzir mais carros na Rússia.

De qualquer forma, a Unctad aposta numa retomada a prazo do fluxo do IED, até porque a crise financeira oferece oportunidades para as companhias comprarem ativos a preços bem mais baratos e em novas áreas, como a ambiental.