Título: CSN e sindicato tentam acordo sobre ajuste
Autor: Durão , Vera Saavedra
Fonte: Valor Econômico, 16/12/2008, Empresas, p. B8
Depois de três horas de reunião, o sindicato dos metalúrgicos de Volta Redonda e a gerência de recursos humanos da Cia. Siderúrgica Nacional (CSN) convergiram numa única das quatro propostas apresentadas pela empresa aos trabalhadores: a criação de um banco de horas com validade até abril para computar as horas extras que deverão ser compensadas ou pagas de dois em dois meses, o que dá uma certa folga para a empresa. Renato Soares Ramos, presidente do Sindicato disse ao Valor que a a direção da CSN vai levar essa proposta para avaliação de Benjamin Steinbruch, controlador da empresa, considerado por ele "um negociador duro". A CSN não marcou data de nova reunião, mas Ramos está mais otimista com o resultado das negociações, porque, segundo ele, desta vez, não houve ameaças de demissão por parte dos representantes da CSN.
Ontem, á CSN formalizou a entrada em férias coletivas a partir de 22 de dezembro até 12 de janeiro de 2.100 empregados. Desse total, 1.500 trabalham na área de laminação, de um total de 8.500 funcionários de Volta Redonda. Também gozarão férias todos os 340 empregados da Galvasud, unidade de galvanização da CSN, que produz chapa galvanizada para automóveis, vão para casa. A empresa vai ficar fechada nestes 20 dias. E mais 250 funcionários da administração na sede, em São Paulo, informou a assessoria da CSN. esses empregados vão receber 70% dos salários.
Uma das propostas enviadas através de ofício pela empresa para o sindicato previa pagamento de apenas 33,3% do salários dos empregados colocados em férias coletivas, como a lei manda. Mas, conforme acordo firmado em data-base, os empregados da CSN já haviam conquistado direito a 70% do valor do salário nestes casos e o sindicato recusou esta sugestão da companhia. As outras duas propostas descartadas pelos trabalhadores na reunião de ontem previam o retorno ao turno de oito horas, contra o turno atual de seis horas, pagamento de apenas 50% do salário para quem for obrigado a tirar licença remunerada e 50% de bonificação salarial para a hora extra, quando o acertado em acordo coletivo prevê pagar bonificação de 50% nas duas primeiras horas extras, 70% da base salarial para a terceira hora extra e 100% a partir da quarta hora extra.
"A CSN nos propôs reduzir os direitos do trabalhador em nome da crise, mas não levou em conta nossas propostas para contornar a crise, como fazer um programa de demissão voluntária (PDV) e usar os dividendos para engordar o caixa da empresa", afirmou Ramos. Nos últimos oito anos foram pagos R$ 11,5 bilhões em dividendos aos acionistas pela CSN, segundo informação da empresa aos investidores. No primeiro semestre de 2008, os acionistas receberam R$ 1,31 bilhão.
Mas, o sindicalista está otimista quanto a questão das demissões. Ele confirmou que em reuniões informais com o sindicato a CSN ameaçou demitir 3 mil empregados de Volta Redonda se a entidade recusasse suas propostas de flexibilizar os direitos trabalhistas, mas nas últimas duas reuniões formais não tocou mais no assunto. Ramos lamentou, porém, que a decisão de dar férias coletivas não ter sido discutida com o sindicato. Para ele, porém, o pacote do governo federal, de ajuda às empresas, a renúncia fiscal do IPI dos carros , e outras medidas mais, pode levar as coisas a melhorarem até fevereiro. Ele espera que nas negociações com a CSN predomine o bom senso. "Creio que nos reuniremos novamente em janeiro, que será o ápice da crise. Até lá, o governo estará injetando recursos nos empresários que não podem aproveitar a crise para tirar um pouco do que o trabalhador tem". O sindicalista descarta que haja uma queda-de-braço com a CSN. "O sindicato é flexível e ninguém pode querer levar esta questão no revanchismo, mas não vamos deixar que o direito dos trabalhadores seja colocado à mercê de apenas um mês e meio de crise". Ele contou que os metalúrgicos de Volta Redonda contam com a solidariedade da prefeitura da cidade e da igreja, representada pelos bispos Dom João Merce e Dom Waldir Calheiros.