Título: Da Piazza Navona ao Tamanduateí
Autor: Cristiane Agostine
Fonte: Valor Econômico, 01/03/2005, Política, p. A56

Longe do charme dos 22 mil m² do Palácio Pamphilli, na Piazza Navona, centro histórico de Roma, onde funciona a embaixada do Brasil na Itália, Andrea Matarazzo segue diariamente para um prédio deteriorado, no centro de São Paulo, sede da Subprefeitura Sé, onde exerce o cargo de subprefeito. Próximo ao edifício, no número 900 da avenida do Estado, às margens do rio Tamanduateí, funciona uma usina de transbordo, para tratamento do lixo. Depois de ocupar o primeiro escalão no governo Fernando Henrique Cardoso, aos 43 anos, Matarazzo afirma que administrar os R$ 140 milhões da subprefeitura será um "desafio". Com status de secretário, Matarazzo foi o primeiro a ser indicado, junto aos secretários. Seu currículo permanece, na página do PSDB na internet, com o primeiro escalão do governo de José Serra. O prefeito encarregou o tucano de administrar os US$ 100,4 milhões do BID para recuperação do centro, que antes ficava a cargo da Emurb. Sob sua área de influência estão os principais cartões postais da cidade. "Além da dívida de R$ 5 milhões que encontramos, enfrentamos a desmotivação dos funcionários. A estrutura é muito grande e só na Sé são mais de 1,2 mil funcionários, muitos com duplicidade de funções." Um dos principais problemas da região é a falta de habitação. Matarazzo disse que não "tem fórmula mágica para resolver o problema" dos moradores de rua, mas espera "resolver tudo na mesma velocidade que eu gostaria de ver, como cidadão." "É fascinante poder usar minha experiência para tentar resolver os problemas da cidade. É um grande desafio". O maior deles, além da recuperação dos prédios e a falta de habitação, é o comércio ilegal. A região administrativa da Sé tem apenas uma favela - são 2.018 na cidade. Com 370 mil moradores, o rendimento médio dos chefes de família é de R$ 2,2 mil, enquanto no resto da cidade é de R$ 1,3 mil. Além de ter sido o representante oficial do Brasil em Roma, Matarazzo foi ministro da Secretaria de Comunicação, secretário de Política Industrial do Ministério da Indústria e Comércio e do Turismo e assessor especial do Ministério da Educação e Cultura, durante o governo FHC. Em São Paulo, ocupou a cadeira de secretário Estadual de Energia e presidente da Cesp, na gestão Mário Covas. Matarazzo tem um grande vínculo aos interesses dos industriais -atuou como diretor do Centro das Indústrias, conselheiro do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial e diretor da Federação do Comércio paulista. (CA)