Título: Indústria têxtil é a maior do setor no país
Autor: Ivo Ribeiro, Vanessa Adachi e Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 01/03/2005, Empresas &, p. B1

A maior indústria têxtil do Brasil em faturamento passa agora, de fato, ao controle da família Steinbruch. Isso porque Ricardo Steinbruch, irmão de Benjamin, já estava à frente da gestão da Vicunha Têxtil na presidência do conselho. Na estrutura societária, os Steinbruch já detinham uma parcela maior da Vicunha. Da Textília, controladora da Vicunha, cada família tinha 50%. Mas Dorothéa (mãe de Benjamin e Ricardo) tem mais 7,73% do capital total, e Eliezer (tio de Benjamin), outros 7,25%. Com a produção espalhada por onze fábricas em quatro Estados (São Paulo, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia), a Vicunha tem um faturamento próximo a R$ 2 bilhões, o maior do setor têxtil brasileiro. Até o terceiro trimestre de 2004, a empresa registrava uma receita bruta de R$ 1,42 bilhão. Nascida de uma fábrica de guarda-chuvas de Sam Rabinovich, as operações têxteis da Vicunha estão nos mais variados segmentos: malhas, viscose, fios sintéticos, brim e índigo, sendo que esses últimos são seus principais produtos. A operação da Vicunha já chegou a ser maior ainda. Apostando na verticalização total, tinha participação na Fibra DuPont e na Coats Correntes. Mas, em 2003, para voltar a investir nos negócios mais lucrativos, entre eles o índigo e o brim, a Vicunha vendeu ativos. Desde então, os esforços da empresa têm sido para reduzir seu endividamento. Em meados de 2004, R$ 567,2 milhões da sua dívida estavam concentrados no curto prazo. Em outubro de 2004, o valor devido no curto prazo já havia caído para 50% do total. Uma dúvida que fica no setor têxtil agora é se a família Steinbruch irá manter o controle na Vicunha, já que o principal ativo deles está na siderurgia. Interlocutores do mercado têxtil avaliam que as operações de índigo e brim interessariam à Coteminas. Em 2004, a Coteminas comprou o controle da Santanense, que fabrica índigo e brim em uma escala bem menor que a Vicunha. E decidida a reforçar sua presença nessa área, a Coteminas vem investindo no aumento de produção da Santanense.