Título: Brasil capta US$ 1 bi no exterior
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 01/03/2005, Finanças, p. C1
O Tesouro Nacional realizou ontem uma nova captação em bônus globais (Global 2015), com prazo de 10 anos e valor total de US$ 1 bilhão. Foi a terceira emissão do governo anunciada apenas neste ano e, com ela, foram cumpridos 73% dos US$ 6 bilhões em captações soberanas programados para 2005. A taxa de retorno aos investidores ficou em 7,9% ao ano, o que significa que o Brasil pagará juros 3,53 pontos percentuais maiores do que os dos papéis do Tesouro americano com características semelhantes. A demanda pelos bônus brasileiros, segundo estimativas de mercado, teria superado em 150% o valor aceito pelo Tesouro, confirmando o alto apetite dos investidores estrangeiros por papéis do país. O Global 2015, que teve a emissão liderada pelo Citigroup e JP Morgan, tem cupom, pago semestralmente, de 7,875% ao ano. O papel foi colocado com um preço correspondente a 99,829% de seu valor de face. Neste ano, o Tesouro já havia feito duas emissões de bônus soberanos - o Global 2025, num valor total de US$ 1,25 bilhão, e o Euro 2015, que chegou a ? 500 milhões (US$ 652 milhões). No ano passado, aproveitando a boa liquidez no mercado internacional, o governo antecipou US$ 1,5 bilhão das captações programadas para 2005. Além do maior apetite dos investidores estrangeiros por risco - em virtude dos baixos juros americanos, boas perspectivas de crescimento da economia mundial e aumento da renda em países exportadores de petróleo, puxada pelas altas cotações do produto -, a demanda pelos papéis brasileiros se explica pelo fato de o Tesouro estar rolando apenas parcialmente os vencimentos da dívida externa. Neste ano, o serviço da dívida externa do Tesouro soma US$ 11,573 bilhões, incluindo juros e principal de bônus soberanos e Clube de Paris. Pela programação anunciada até agora, US$ 2,446 bilhões serão honrados com moeda estrangeira adquirida pelo Tesouro no mercado de câmbio (a expectativa é que, nos próximos meses, esse número seja revisto para cima). As reservas vão arcar com um pagamento de US$ 9,127 bilhões; apenas US$ 6 bilhões desse montante proveniente das reservas se referem a novas captações, enquanto o resto vem de compras de dólar do BC no mercado de câmbio. A nova emissão será liquidada na próxima segunda-feira, e deixará as reservas internacionais brutas mais próximas da casa dos US$ 60 bilhões. Pelo dado mais recente, da sexta-feira passada, as reservas já se encontravam em US$ 59,01 bilhões, alta de US$ 5 bilhões em relação aos US$ 54,022 bilhões observados no encerramento de janeiro. Quanto às reservas líquidas, que excluem recursos dos empréstimos do Fundo Monetário internacional (FMI), o dado mais recente é de janeiro (US$ 27,086 bilhões), mas analistas do mercado estimam que tenham chegado próximo de US$ 33 bilhões, sem contar a mais recente emissão. Ontem, a Standard & Poor's divulgou relatório em que estima que o volume bruto de empréstimos soberanos captados por países da América Latina irá crescer 33% em 2005, para US$ 167 bilhões. Somente o Brasil, segundo a estimativa, irá fazer uma captação bruta superior a US$ 107 bilhões. Neste número, estão contemplado tanto títulos da dívida externa como interna.