Título: Taxa de investimento deve alcançar 20%
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 02/03/2005, Brasil, p. A4

O expressivo crescimento de 10,9% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no ano passado em relação a 2003 permitiu uma recuperação da taxa de investimento como proporção do Produto Interno Bruto (PIB). As estimativas são de uma taxa muito próxima a 20% do PIB. O assessor da área de planejamento do BNDES, Francisco Eduardo Pires de Souza, ficou satisfeito com o desempenho do investimento em 2004. Ele estima que a formação bruta de capital fixo ficou em 19,8% do PIB no ano passado, supondo que os preços do terceiro trimestre tenham se mantido no quarto. "É uma recuperação importante se comparada aos 17,8% registrados em 2003". "O crescimento começou da forma certa. Isso ajuda a ampliar a oferta na economia", avalia Pires de Souza. Ele acredita que essa elevação vai se refletir, nos próximos meses, numa situação mais folgada do ponto de vista da relação entre oferta e demanda. "O aumento do investimento é importante sobretudo por dar um horizonte de crescimento não inflacionário por um período maior", avalia ele, lembrando que a taxa de 19,8% do PIB é superior à média do período entre 1994 e 2003, de 19,4%. O economista-chefe do HSBC, Alexandre Bassoli, também gostou do resultado, estimando que a taxa de investimento ficou um pouco abaixo de 20% do PIB. Ele diz, porém, que o número ainda é baixo para um país como o Brasil, e que a taxa é inflada, em parte, pelo encarecimento dos bens de capital nos últimos anos, também um reflexo da desvalorização do câmbio. Bassoli estima que, a preços de 1999, a taxa atual equivaleria a pouco mais de 18% do PIB. Segundo suas estimativas, a taxa teria que estar na casa de 23,5% do PIB para o país crescer 3,5% de forma sustentada, ao longo de muitos anos. O economista Nelson Rocha Augusto, diretor presidente da BB-DTVM, projeta uma taxa de investimento de 23% do PIB para 2005, por conta de mudanças institucionais importantes, como a nova legislação dos fundos de investimento, da lei de falência, que entra em vigor em junho, do controle da inflação e do comportamento das finanças públicas. Na sua avaliação, o crescimento de 10,9% no investimento fixo em 2004, como o IBGE divulgou ontem, aponta para quebrar de maneira "bastante suave" a barreira dos 20% de participação dos investimentos no PIB. Apesar do crescimento de 10,9% no ano, a taxa de investimento desacelerou no último trimestre e registrou queda de 3,9% em relação ao terceiro trimestre. Rebeca Palis, gerente das contas nacionais do IBGE, atribuiu esse movimento a uma base de comparação desfavorável. "O investimento concentrou o crescimento no terceiro trimestre, quando evoluiu 6,8% no dessazonalizado ante o segundo trimestre. Isto impactou o quarto trimestre, mas devo reconhecer que a questão da alta do juro também deve ter influenciado na decisão de investir das empresas". Rebeca negou que a queda do investimento fixo decorreu da contabilização de US$ 1,2 bilhão de uma exportação de duas plataformas alugadas pela Petrobras de uma empresa holandesa. "Elas foram contabilizadas no balanço de pagamento como exportação. Não foram computadas como investimento, tanto que a Petrobras não as colocou como parte de seus ativos imobilizados", destacou.