Título: Produto per capita é o maior desde 94
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 02/03/2005, Brasil, p. A4

O PIB per capita do Brasil cresceu 3,7% no ano passado, maior resultado desde 1994 e bem acima da média dos últimos dez anos, que foi de 0,9%. É um crescimento expressivo e fez a renda per capita ficar em torno de US$ 3,3 mil. Ainda assim, o Brasil ocuparia a 37º posição de um ranking de 46 países, segundo dados preliminares da publicação inglesa "Consensus Forecasts Global Outlook", e ficaria atrás de Chile e México. Para Sergio Vale, da MB Associados, o resultado reflete o dinamismo da economia no último ano. No entanto, a renda inferior a patamares de países mais desenvolvidos indica que será preciso crescer anos seguidos a um ritmo forte para que o Brasil consiga ficar equiparado a esses países. Segundo o ranking - liderado pela Noruega, com renda per capita de US$ 52,2 mil -, o Brasil perde até mesmo para a Venezuela, que tem PIB per capita de US$ 3,3 mil. De acordo com cálculos de Bráulio Borges, da LCA Consultores, se a economia brasileira avançar em média 4% nos próximos cinco anos, a renda per capita poderá chegar a US$ 4,1 mil e ficará equiparada ao indicador da Turquia nos dias de hoje. Para 2015, com o mesmo desempenho da economia, o PIB per capita deve ficar em US$ 5,5 mil, atual valor do indicador no Chile. Entretanto, o economista da LCA lembra que o dado de 2004 está muito próximo ao que chama de "época de ouro do capitalismo", entre 1947 e 1973. "Neste período, o PIB per capita do Brasil cresceu 4% ao ano", comenta. Já em 1994, ano de implantação do Plano Real, o indicador teve incremento de 4,2%. Mas naquele momento houve um impulso muito grande do novo plano econômico no poder de compra dos brasileiros, principalmente para os das classes mais baixas, que foi perdido nos anos seguintes. "Em condições normais de temperatura e pressão, o ano passado teve o melhor resultado em cerca de 30 anos", diz Borges. Em 2004, o aumento da renda per capita indicou que a evolução do PIB foi capaz de compensar o crescimento da população ocupada (pessoas que entraram, menos as que saíram do mercado de trabalho) e ainda atender uma parte dos desempregados. Pelos cálculos do departamento econômico do Bradesco, historicamente, para cada 2% de crescimento do PIB, o emprego no país aumenta 1%. Como o PIB total cresceu 5,2% e a ocupação mais de 3%, isso significa que o resultado foi acima da média. A população ocupada cresce cerca de 1,7% ao ano. Para absorver esse contingente a cada ano, é preciso que a economia cresça pelo menos 3,4%. Para que haja redução do desemprego, o crescimento precisa ficar acima desse nível. Para 2005, as expectativas de alta para o PIB per capita estão entre 2,5% e 3%, com PIB total entre 3,8% e 4,1%, o que indica manutenção da tendência de recuo nas taxas de desemprego. O economista Marcelo de Ávila do Instituto de Economia Aplicada (Ipea), afirma que desempenho da economia refletiu-se significativamente no mercado de trabalho. A massa salarial efetivamente recebida em 2004, ou seja, aquela que engloba não só salários, mas também 13º salário, bônus, adiantamentos e horas-extras, ficou 7,5% maior na comparação com o ano anterior. Foi resultado da alta de 4% no rendimento efetivamente recebido combinado à elevação de 3,4% no nível de ocupação.