Título: Copom dividido corta a taxa Selic em 1 ponto
Autor: Ribeiro, Alex
Fonte: Valor Econômico, 22/01/2009, Finanças, p. C1
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou em um ponto percentual os juros básicos da economia, de 13,75% para 12,75% ao ano, num movimento mais forte do que o antecipado pela maior parte dos analistas econômicos. O comitê votou dividido, com três de seus oito membros defendendo a redução de apenas 0,75 ponto percentual. E também procurou limitar uma eventual onda de otimismo no mercado financeiro, ao afirmar que a queda decidida ontem representa uma parte relevante do movimento de queda que pretende fazer na taxa básica de juros.
O comunicado divulgado após o encontro diz que "avaliando as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, neste momento, reduzir a taxa Selic para 12,75% ao ano, sem viés, por cinco votos a favor e três votos pela redução da taxa Selic em 0,75 ponto percentual". A nota diz ainda que "com isso, o comitê inicia um processo de flexibilização da política monetária realizando de imediato parte relevante do movimento da taxa básica de juros, sem prejuízo para o cumprimento da meta para a inflação".
Uma fonte explicou que mesmo com a redução de um ponto percentual da taxa de juro os modelos de projeção de inflação continuam a apontar o cumprimento da meta.
Contribuiu para isso, diz a mesma fonte, a manutenção dos juros em dezembro, o que reduziu de 5,2% para 4,7% a expectativa de inflação do mercado.
Também segundo essa leitura, a posição mais conservadora tende a reduzir o repasse da desvalorização cambial para a inflação. Entre os pontos considerados pelo BC está o fato de os preços das importações terem se reduzido, com destaque para os produtos chineses.
O BC prevê que, nos próximos meses, as empresas nacionais vão aumentar a produção para atender parte da demanda que antes era suprimida por importações.
Os maiores bancos anunciaram a redução dos juros das principais linhas ainda na noite de ontem.
As reações foram contraditórias. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) primeiro aprovou o corte, afirmando que recebeu a decisão com "otimismo", em nota enviada logo após o anúncio do Copom. Em uma segunda nota, enviada cinco minutos depois da primeira, a entidade desaprova o corte de "apenas um ponto percentual", que "não atende os interesses do Brasil neste momento de crise". Diz ainda que "não podemos esperar 45 dias para uma nova queda", afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp. A assessoria disse que enviou a primeira nota por engano. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) chama a decisão de "sensata e pragmática". As centrais sindicais afirmam que o corte é insuficiente.