Título: Lula quer que instituição pública lidere a redução
Autor: Ribeiro , Alex
Fonte: Valor Econômico, 23/01/2009, Finanças, p. C1
O presidente Lula determinou aos bancos públicos, em reunião ontem no Palácio do Planalto, que liderem o processo de redução dos juros e dos "spreads" bancários. "Os juros e os "spreads" bancários chegaram a patamares inadmissíveis para um país que precisa de crédito para crescer", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que fez um relato sobre a reunião com os bancos.
Segundo ele, as instituições financeiras federais apresentaram na reunião números que mostram um expressivo aumento das carteiras de crédito a partir de setembro, quando o Brasil foi atingido pela crise financeira mundial. O BB e o BNDES, informou, expandiram em 40% as suas carteiras de crédito em 2008.
Mantega disse que, embora seja satisfatória, a oferta de crédito pelos bancos públicos está sendo insuficiente para compensar o corte de outras fontes de financiamento. "As fontes de financiamento externo secaram, e o mercado de capitais parou de fornecer crédito", afirmou. "Há uma maior demanda de crédito no mercado local." Segundo o ministro, Lula cobrou dos bancos públicos mais agilidade na contratação de empréstimos.
Para o ministro, o principal problema foi a alta dos custos dos empréstimos verificada desde a crise. "É verdade que já houve redução nos custos dos empréstimos entre novembro e dezembro, mas é insuficiente."
Participaram da reunião no Planalto os presidentes do Banco do Brasil, Antonio Francisco de Lima Neto; da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho; do BNDES, Luciano Coutinho; do Banco do Nordeste, Roberto Smith; e do Banco da Amazônia, Abidias José de Sousa Júnior. Além de Lula e Mantega, outros integrantes do governo no encontro foram a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff; o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo; e o presidente do BC, Henrique Meirelles.
Pressionado nas últimas semanas para baixar a taxa básica de juros, Meirelles passou a defender dentro do governo que de nada adianta uma Selic menor se os bancos não cortarem seus "spreads" e os juros cobrados dos tomadores finais de crédito. Nas discussões internas, o presidente do BC chegou a acusar os bancos públicos de se aproveitarem da crise, aumentando as taxas para engordar os lucros.
Ontem, os dirigentes de bancos públicos apresentaram dados que, segundo eles, mostram que estão fazendo o repasse aos clientes dos cortes na taxa básica de juros e da redução da curva de juros futuros. Mas, segundo dirigentes de bancos públicos, a margem para cortar "spreads" seguirá apertada enquanto o BC mantiver juros básicos muito elevados, que tendem a levar a aumento do desemprego e dos índices de inadimplência.
Mantega negou que a reunião de ontem tivesse o objetivo de pressionar os bancos. "Não há interferência política nos bancos públicos. Mas eles são bancos públicos, e respondem ao governo. A nossa orientação é que a oferta de crédito seja ampliada, mas sem deixar de ter um comportamento responsável", afirmou. "Os bancos públicos não podem é cobrar taxas maiores do que a de bancos privados. Tem que ser menores, mas seguindo o princípio da responsabilidade."