Título: Troca de acusações domina escolha de Mesa do Senado
Autor: Lyra , Paulo de Tarso
Fonte: Valor Econômico, 04/02/2009, Política, p. A7

O PMDB ameaça retaliar, no Senado, os partidos que votaram no senador Tião Viana (PT-AC) para presidente da Casa. Os pemedebistas alegam que os derrotados desrespeitaram o princípio da proporcionalidade ao apoiar um candidato da quarta maior bancada e não podem, agora, justificar suas escolhas nos cargos de direção amparados nos tamanhos das respectivas bancadas. Ruy Baron/Valor

Renan com Collor, que tem apoio do PMDB: "Não queremos brigas, queremos, humildemente, ajudar na composição"

A decisão do PMDB levou a disputa da quarta secretaria para o voto no plenário - o embate entre PR (que votou em José Sarney em troca do apoio pemedebista) e PDT (que não aceitou acordo parecido) deve acontecer hoje - e deve se estender às outras comissões temáticas, como a de Infraestrutura e a de Relações Exteriores.

O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), reclamou que os vencedores podem muita coisa, mas não podem tudo: "Eles não podem entrar nesse debate como as legiões romanas, que invadiam cidades, saqueavam casas e matavam os soldados inimigos".

O clima tenso nas duas primeiras reuniões dos líderes partidários não deixou dúvidas de que as relações começaram conturbadas. O PDT reivindica a vaga da quarta secretaria para a senadora Patrícia Saboya (CE), mas o PR bateu o pé, de olho num cargo que permite a indicação de pelo menos 20 servidores.

Apesar das demais vagas terem sido preenchidas normalmente, o revanchismo político permeou cada um dos debates. O senador Marconi Perillo (PSDB-GO) ficou com a primeira vice-presidência, mas os pemedebistas espalharam boatos de que ele havia traído a orientação partidária de apoio a Tião Viana e votara em José Sarney (AP).

O PT conseguiu manter a senadora Serys Slhessarenko (MT) na segunda vice-presidência. Os pemedebistas queriam Delcídio Amaral (MS) e também disseminaram suspeitas de que ele não havia votado em seu companheiro de bancada. "Nem cogitamos isto, porque senão caberiam medidas partidárias", alegou a senadora Ideli Salvatti (SC).

Mas o partido se viu obrigado a elencar todas as qualidades de Serys, dentre elas o fato de ser a primeira mulher com vaga na Mesa Diretora. O líder da legenda na Casa, Aloizio Mercadante (SP), disse que Delcídio já foi presidente da CPI dos Correios e relator do Orçamento de 2008, cargos que lhe renderam bastante visibilidade. Petistas admitiram, contudo, que a relação do senador com a bancada sempre foi tumultuada. Muitos petistas não gostaram da maneira como Delcídio se comportou na presidência da CPI dos Correios, e os deputados da legenda reclamaram muito quando o PT do Senado o indicou para a função de relator da Comissão do Orçamento".

A disputa deve prosseguir nas indicações para as comissões temáticas, especialmente naquelas que envolvem mais diretamente petistas e tucanos. O PT dá como certa a aprovação de Ideli para a Comissão de Infraestrutura, mas o ex-líder do PMDB, Valdir Raupp (RR) não está totalmente fora do jogo. Tudo dependerá de como o PMDB vai indicar os nomes para a Comissão de Constituição e Justiça da Casa (CCJ) ou a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Ambas são as mais cobiçadas e sempre são escolhidas em primeiro lugar.

O último embate previsto é na Comissão de Relações Exteriores. O PSDB quer o cargo para Eduardo Azeredo (MG) e conta com o voto do DEM para obter êxito. O PMDB vai apoiar o ex-presidente da República Fernando Collor (PTB-AL). "Não queremos brigas, queremos, humildemente, ajudar na composição", ironizou o novo líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL).