Título: Governo do RJ quer sócios privados na gestão de agência de investimento
Autor: Santos , Chico
Fonte: Valor Econômico, 10/02/2009, Brasil, p. A2

O histórico de desmandos e uso para fins políticos dos bancos estaduais, fossem comerciais ou apenas instituições de fomento, acabou por transformá-los em espécies quase em extinção na esteira das privatizações dos anos 1990. A volta dos bancos comerciais privatizados é algo, hoje, absolutamente sem espaço, mas se assiste a um movimento de criação e robustecimento dos bancos de desenvolvimento regionais. Mas, como dar transparência para que eles não voltem a incorrer nos vícios do passado? A proposta do governo do Rio é dividir com o capital privado o controle e a gestão da sua agência, a Investe Rio. Leo Pinheiro/Valor

Mauricio Chacur: "Queremos blindar a instituição em relação a vícios do passado"

Segundo Mauricio Chacur, presidente da agência, além do controle do Banco Central (BC) ser hoje bem mais rígido do que no passado, a incorporação de sócios privados, com assentos no conselho de administração, dará a transparência necessária a que essas instituições voltem a ter a confiança da sociedade em geral. Ele disse que já contatou várias empresas, incluindo a distribuidora/geradora de energia elétrica Light e a Gás Natural, distribuidora da gás encanado no Estado.

O estatuto da instituição permite que o capital privado fique com até 49% do controle, mas Chacur disse que, realisticamente, pretende que, ao final deste ano, de 25% a 30% do capital da Investe Rio esteja nas mãos de sócios privados, que teriam dois assentos no Conselho de Administração da agência. As divergências entre os sócios, segundo a proposta de Checur, serão resolvidas por arbitragem e a instituição terá um manual de governança para balizar a ação dos seus dirigentes.

"Queremos, digamos assim, blindar a instituição em relação a vícios do passado", disse Chacur. Segundo ele, há hoje no Brasil um movimento de renascimento das agências estaduais de desenvolvimento. Na sua opinião, é uma iniciativa importante até para dar mais capilaridade, na condição de agentes credenciados, aos empréstimos do BNDES, principal instituição oficial de fomento do país, fazendo um papel que os bancos privados fazem a um custo sempre questionado como excessivo.

A Investe Rio foi criada em 2005, no governo de Rosinha Matheus (PMDB), mas com um capital de apenas R$ 4 milhões. Em 2007, já no governo Sérgio Cabral, a instituição recebeu uma injeção de capital de R$ 30 milhões, e no ano passado, com nova injeção de R$ 50 milhões e mais a incorporação de resultados, a empresa passou a ter um capital de quase R$ 100 milhões, o que, pela legislação do BC, lhe permite emprestar até quase R$ 1 bilhão.

Além disso, a agência administra dois fundos estaduais, o Fundo de Recuperação dos Municípios do Norte Fluminense, que já tem R$ 90 milhões em empréstimos contratados, e o Programa de Apoio Solidário (PAS), que está lançando uma linha com juros de 7,5% a 9,5% ao ano para ajudar na recuperação de maquinário e instalações de empresas do norte e noroeste do Estado, devastadas pelas enchentes deste verão.

Os empréstimos com recursos próprios, admite Chacur, ainda são muito poucos, mas há uma carteira em análise de R$ 280 milhões, apesar da retração de alguns setores com a crise econômica. Segundo Chacur, a ideia é atuar no espaço deixado pelo BNDES, que só financia diretamente operações superiores a R$ 10 milhões. No final do ano passado, a Investe Rio, que só emprestava para pequenas e médias empresas, foi autorizada a operar também com as companhias de grande porte.