Título: Mineradoras cortam gastos em pesquisas
Autor: Ribeiro, Ivo
Fonte: Valor Econômico, 12/02/2009, Empresas, p. B9
A queda nos preços das commodities metálicas, tais como níquel, cobre, alumínio, zinco e outras matérias-primas minerais, por conta da crise econômica mundial, vai impor uma retração brutal nos investimentos em exploração e pesquisa mineral no mundo. A previsão é de especialistas, que projetam para menos da metade do montante dos gastos que estavam previstos antes das turbulências financeiras para o ano passado - em torno de US$ 12 bilhões.
Cláudio Mansur, sócio-diretor da consultoria Cypress, de São Paulo, estima investimentos de US$ 5,5 bilhões, na melhor das previsões, neste ano. "O grande baque ocorreu nas "junior companies", as quais eram responsáveis, nos últimos três anos, por cerca da metade dos recursos aportados", explica Mansur. Esse tipo de empresas, por ser voltado para aplicação de risco, foram as primeiras a suspender seus programas de investimento.
O especialista informa que o corte os investimentos das junior companies, cujo perfil de atuação é a pesquisa mineral - descoberta de jazidas, que em geral são transferidas para as grandes mineradoras -, foi da ordem de 75%. Já as "majors" (mineradoras de grande porte), que representavam um terço dos gastos, reduziram seus orçamentos em 25%.
O impacto dessas decisões de grupos mineradores não foi diferente no Brasil, que em 2007 se destacava entre os dez países com maiores aplicações em pesquisa mineral em seu subsolo no mundo. A previsão é que os gastos ficarão em torno de US$ 200 milhões neste ano, ante a projeção eufórica - e recorde - de quase US$ 500 milhões, estimulada pelo boom das cotações das commodities e pela corrida por novos projetos em níquel, cobre, ouro, fosfato, potássio e e minério de ferro no país.
Mansur admite que acabou a festa. Ele aponta que a fonte primário de recursos das junior companies, a Bolsa de Toronto, secou. "O risco é enorme para essas empresas, pois, de cada 100 projetos pesquisados, apenas um acaba chegando à fase de estudos de viabilidade para se transformar numa possível mina".
A Amazon Mining, empresa sediada em Londres mas controlada por brasileiros, é um exemplo. Cristiano Veloso, presidente da mineradora, explicou que ela foi uma das últimas a levantar recursos em Toronto - US$ 16 milhões. O dinheiro era voltado para explorar quatro projetos de ouro e diamante em Rondônia, Tocantins e Minas Gerais. "Como o cenário mundial ficou crítico, decidimos parar os investimentos em setembro", disse. A Amazon já tinha gasto US$ 4 milhões e ainda teria de investir mais para obter resultados mais consistentes. "Era muito risco".
No Brasil, Vale do Rio Doce e Votorantim Metais sãos as principais investidoras, no país e fora, na pesquisa mineral, na busca de novas jazidas para ampliar seu portfólio de projetos futuros. A Vale informou por meio de sua assessoria que o valor mundial previsto para 2009, anunciado em outubro, de US$ 726 milhões, está mantido. A empresa informou que não divulga os valores por região geográfica, mas que grande parte do total é no Brasil.
A Votorantim, com atuação nas Américas, está ajustando seu programa. Segundo o Valor apurou, fará forte corte no orçamento, que em 2008 foi de R$ 150 milhões, e na equipe de geólogos e técnicos. Em nota, a empresa informou que, "diante da nova realidade do mercado, com os impactos da desaceleração da economia global e a consequente redução na demanda e preços dos metais, está reavaliando os projetos" nessa área.