Título: ArcelorMittal faz previsão sombria
Autor: Marsh , Peter
Fonte: Valor Econômico, 12/02/2009, Empresas, p. B9

A ArcelorMittal emitiu um alerta, ontem, de que seu lucro básico deverá recuar em 80% no primeiro trimestre de 2009 e anunciou também que a empresa registrou prejuízo depois de descontados os impostos no último trimestre do ano passado.

A maior companhia siderúrgica do mundo disse esperar que seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) será de apenas US$ 1 bilhão no primeiro trimestre deste ano, na comparação com US$ 5 bilhões, no período correspondente no ano passado.

A empresa, com sede em Luxemburgo, cujo presidente de conselho de administração e principal proprietário é o empreendedor indiano Lakshmi Mittal, disse também que teve um prejuízo liquido de US$ 2,6 bilhões no quarto trimestre do ano passado, ante um lucro liquido de US$ 2,4 bilhões no mesmo período de 2007. O lajida chegou a US$ 2,4 bilhões no trimestre mais recente, numa queda de 42% ante os US$ 4,8 bilhões obtidos no período equivalente no ano passado.

A acelerada deterioração na economia mundial levou grandes usuários de aço em setores como o de construção e de automóveis a reduzir maciçamente os pedidos, causando uma grande queda na produção de aço e desencadeando uma vigorosa queda nos preços.

O prejuízo trimestral da ArcelorMittal no estágio posterior ao imposto estava vinculado a uma despesa extraordinária nos três últimos trimestres. Ela se deveu a custos associados com dispensas de pessoal, ações jurídicas e abatimento do valor de reservas de aço e matérias-primas. A empresa reduziu a produção em cerca de 40% no último trimestre, na comparação com o ano anterior.

Mittal disse que as condições comerciais provavelmente continuarão "desafiadoras" no primeiro trimestre, apesar de existirem alguns sinais de melhora, em especial indícios de uma ligeira recuperação na demanda no mercado chinês.

Para o ano cheio de 2008, o lajida atingiu US$ 24,5 bilhões, 26% acima dos US$ 19,4 bilhões em 2007, sobre vendas 19% superiores, a US$ 124,9 bilhões.

No trimestre mais recente, a empresa reduziu o endividamento liquido em US$ 6 bilhões, para US$ 26,5 bilhões. Ela anunciou a dispensa de 9 mil empregados, de um total de 320 mil, e insinuou que novas demissões poderiam estar a caminho, se a economia global não conseguir reagir aos planos de incentivo do governo. A empresa está depositando esperanças numa melhora generalizada na economia em torno de meados deste ano, que levaria a um retorno gradual da rentabilidade.